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Tudo Sobre o Tatu-bola Animal

Ver um animal desse enrolado em si mesmo chega a ser fofo, né? Mas sabia que essa ação é a forma encontrada pelo tatu-bola de se proteger contra ataques de predadores? Não? Então, esse artigo é para você! Logo abaixo nós listamos algumas outras características e curiosidades sobre esse animal que acaba sendo tão pouco falado pela grande mídia.

Tatu-bola: onde vive, o que come e como se reproduz

É cientificamente chamado de Tolypeutes tricinctus, mas na boca do povo adquire muitas variações, tais como tatu-apara, tatu-bola-do-nordeste, bola, bolinha e até mesmo tranquinha.

Trata-se de uma espécie endêmica, ou seja, só existe em locais específicos. Graças a isso, sua distribuição geográfica é muito restrita. Ela está presente apenas nas regiões do cerrado e da caatinga, dois dos biomas mais ameaçados mundialmente em função do desmatamento. Acaba sendo um recorte relativamente pequeno do território nacional, já que dentre os 26 estados brasileiros, apenas 12 apontam registro do animal, sendo eles: Alagoas, Bahia, Ceará, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Sergipe e Tocantins.

Tatu-bola
Tatu-bola

Ele possui um porte bastante pequeno, atingindo não mais que 50 centímetros e 1,2 quilogramas. Esse padrão não varia muito de acordo com o sexo do animal, mas, de modo geral, a fêmea tem uma tendência a ser relativamente menor que o macho.

Graças ao seu tamanho diminuto, o tatu-bola é trazido ao mundo aos poucos. A cada ninhada, a fêmea só é capaz de gerar um filhote, ou no máximo dois, sendo esta possibilidade bem menos frequente. O período de gestação dura em torno de 120 dias e finaliza com o nascimento de um pequeno exemplar de tatu-bola totalmente formado. Uma curiosidade válida de ser comentada é que antes desse momento, enquanto ainda está ocorrendo o período de acasalamento, a fêmea pode ser vista sendo acompanhada por mais de um macho. O lado ruim desse fato é que tal agrupamento deixa os animais expostos e propensos a ataques de predadores.

Quanto a sua alimentação, ela consiste em pequenos insetos (como formigas e cupins) e outros animais invertebrados no geral, além de material vegetal. Durante o período chuvoso, a dieta pode chegar a incluir alguns frutos.

Porquê “tatu-bola”?

Nós demos um pequeno spoiler ali em cima, mas agora é o momento de entender a fundo o motivo dessa denominação. Uma das principais características do animal é a sua capacidade de se fechar na forma de uma bola ao se sentir ameaçado. É daí que ele recebe o nome, mas esse mecanismo de defesa acaba sendo bem interessante de compreender.

A carapaça com a qual ele se envolve é dura e, a princípio, serve para proteger as partes moles do seu corpo contra o ataque de predadores, mas alguns pontos fracos foram notados por pesquisadores. Existe a família Canidae, por exemplo, que é capaz de perfurar essa barreira de proteção. Os canídeos são mamíferos carnívoros, como lobos, raposas, coites e cães que possuem dentes molares adaptados para esmagar até ossos com facilidade. Graças a isso, a carapaça pode não oferecer resistência o suficiente para manter o animal a salvo. Além disso, existe também o ser humano e sua tendência ao ataque.

Quando o tatu-bola se prepara para a defesa e está encolhido na forma de uma bola, acaba sendo uma situação proveitosa para o indivíduo que queira captura-lo. A posição é fácil de ser conduzida, então não apresenta empecilho para um ser humano tão maior que o animal. Segundo estudiosos, o homem o caça principalmente como forma de subsistência, pois, em picos extremos de fome, o pequeno tatu-bola acaba sendo a opção mais viável.

No entanto, outras diversas ações contribuem para a diminuição gradativa do animal em território nacional.

Extinção do tatu-bola: principais fatores e ações de conscientização

Antes de tudo, a espécie já foi classificada como rara pelos cientistas. Por habitar apenas locais específicos, como dito anteriormente, existem relativamente poucos representantes. No entanto, esse número vem caindo ainda mais. Infere-se que nos últimos 27 anos a espécie tenha sofrido uma redução de aproximadamente 50% da sua população. A estimativa aponta, portanto, que em 50 anos as chances de não encontrar mais nenhum exemplar do tatu-bola são altas, segundo dados do ICMBio, que classifica a espécie como “Em perigo”.

Além da caça direta, um outro fator que encaminha o tatu-bola cada vez mais rápido para a extinção é a fragmentação do seu habitat. Atividades como a agricultura, o desmatamento e o aumento de matriz energética que exige espaço para a implantação de equipamentos, por exemplo, acabam destruindo o lar de diversas espécies, incluindo o do já raro tatu-bola. Quando se trata do Cerrado, especificamente, a prática da monocultura extensiva merece destaque no que se refere a interferência em habitats, pois esta exige uma quantidade imensa de terra, levando à redução da biodiversidade do local.

Cientes das péssimas projeções quanto ao tatu-bola, algumas instituições visam chamar a atenção para o fato de que o animal corre cada vez mais risco. É o caso da Associação da Caatinga que, em 2011, lançou a campanha para que o animal se tornasse o mascote da Copa do Mundo de 2014 como forma de obter mais visibilidade. O objetivo foi alcançado e da campanha surgiu o Fuleco (junção entre “futebol” e “ecologia). A mesma Associação desenvolve uma parceria com órgãos de pesquisa internacional para conservar e tentar reduzir o risco de extinção da espécie.

Tatu-bola
Tatu-bola

Graças a essa tentativa de fazer o animal mais conhecido e zelar pela existência da espécie, foi aprovado, ainda em 2014, o Plano de Ação Nacional para Conservação do Tatu-bola – PAN tatu-bola, com período vigente até 2019. Além de reduzir o risco de extinção da espécie tolypeutes tricintus, o PAN objetiva também auxiliar o tatu-bola-do-Centro-Oeste (tolypeutes matacus).

Se todas investidas derem certo, o tatu-bola vai se tornar um animal cada vez mais recorrente em meio ao Cerrado e à Caatinga, saindo da lista de vulnerabilidade na qual foi colocado quando começou a ter sua quantidade reduzida grandemente.

Algumas curiosidades!

Sabia que esse pequeno animal não cava tocas? Mas, apesar disso, ele as utiliza quando encontra alguma e se sente ameaçado, escondendo-se nela. O tatu-bola vive entre 13 e 17 anos e possui tanto hábitos diurnos quanto noturnos; além disso, sua cauda é praticamente inflexível e é coberta por escudos dérmicos, que acabam limitando a sua mobilidade.

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