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O Abutre-real

Reino: Animalia

Filo: Chordata

Classe: Aves

Ordem: Accipitriformes Falconiformes

Família: Accipitridae

Género: Torgos

Espécie: Torgos tracheliotus

Abutre-real
Abutre-real

Grande e imponente. Talvez essas duas palavras são as que melhor descrevem o abutre-real. Também chamado abutre-torgo ou oricu, essa ave pode chegar a medir 1,15 metros de comprimento, além de facilmente ultrapassar os 2,80 metros de envergadura, pesando até 9,5 quilos.

De face predominantemente enrugada, o abutre-real é facilmente reconhecido pela sua cabeça nua e de coloração avermelhada. Sua plumagem é predominantemente negra, com exceção nas coxas e no peito, que são cobertos por penas brancas. Seu bico é grande e forte.

O abutre-real habita locais secos, como savanas, desertos e planícies áridas, e pode ser encontrado no Oriente Médio e na África subsaariana. A ave, de hábitos diurnos, é geralmente solitário, apesar de ser comumente visto com grupos de outras espécies.

Alimentação

Alimentação Abutre Real
Alimentação Abutre Real

Assim como as outras espécies de abutres, o abutre-real alimenta-se principalmente de carniça. Por ser o mais poderoso e agressivo, ele costuma ser o primeiro a comer, mesmo quando é o ultimo a chegar à carcaça. Com seu bico forte, a ave consegue rasgar o couro e os músculos de animais de grande porte. Dessa forma, as outras aves acabam sendo beneficiadas quando o abutre-real “fura a fila”.

Esse carniceiro se aproveita da caça de um predador, roubando a presa morta e deixando apenas os ossos. Além disso, o Torgos tracheliotus também come partes que são muitas vezes rejeitadas pelas demais aves necrófagas, como pele e tendões. Ele é capaz de comer até 1,50 quilos de carne em um só dia e pode também caçar animais de pequeno porte e feridos, como filhotes de outras aves e até mesmo antílopes. Não raro, o abutre-real ataca ninhos para comer ovos e até mesmo caçar alguns insetos.

Alimentação
Alimentação

O gnu é um mamífero que habita a região da África oriental e é um dos alimentos favoritos do abutre-real. Durante a migração anual de 1,3 milhões de gnus, estima-se que os abutres que vivem no ecossistema entre o Quênia e a Tanzânia consumiram historicamente mais carne do que todos os mamíferos carnívoros da região juntos.

Tudo isso, claro, de forma rápida. Um abutre é capaz de engolir cerca de um quilograma de carne por minuto. Um grupo de tamanho considerável pode desfazer uma zebra, do focinho até a cauda, em 30 minutos. Assim, os abutres-reais desempenham as funções de limpeza e de reciclagem rápida dos animais mortos.

Reprodução do Abutre-real

Reprodução do Abutre-real
Reprodução do Abutre-real

O abutre-real constrói um enorme ninho que mede até dois metros de diâmetro nas copas das árvores, principalmente em acácias. O ninho é feito com gravetos e forrado com folhas e pelos. A fêmea bota apenas um ovo, que é incubado pelo casal por até 56 dias. O filhote, então, permanece com os pais por até um ano. Para isso, o casal pode construir até três diferentes ninhos para comportar a sua cria.

Os abutres-reais atingem a maturidade sexual aos cinco ou sete anos de idade e geram apenas uma cria a cada um ou dois anos. Acredita-se que 90% dos jovens abutres morrem no primeiro ano. Os que sobrevivem conseguem chegar até 30 anos em estado selvagem.

Ameaça de Extinção e Agravantes

Extinção Abutre-Real
Extinção Abutre-Real

As populações de abutre-real estão em declínio devido à destruição de seu habitat, ao avanço dos centros urbanos e rurais, a utilização de agrotóxicos e ao envenenamento. Assim, essa é uma espécie considerada vulnerável à extinção.

Na India e em outros países do Oriente Médio, o gado bovino não é utilizado como carne de consumo humano e as carcaças são jogadas em áreas abertas, muitas vezes em grande quantidade. Enquanto vivos, muitos destes animais, foram tratados com um antibiótico chamado diclofenaco, que permanece em seu corpo mesmo após morrerem. Tal antibiótico tem efeito tóxico no organismo dos abutres que, ao se alimentarem desta carne contaminada, passa a sofrer de problemas renais que os levam à morte.

Um estudo científico da Universidade de Cambridge publicado em 2015 garante que, em três gerações, registou-se uma diminuição de cerca de 80% em sete espécies de abutres. O abutre-real, por exemplo, sofreu declínio de 5 a 6% por ano.

Abutre Real
Abutre Real

Atualmente, os caçadores ilegais de marfim são responsáveis por um terço dos envenenamentos de abutres na África Oriental. Em Julho de 2012, 191 abutres morreram após se alimentarem de um elefante abatido “temperado” com um forte veneno Parque Nacional do Zimbabwe. No ano seguinte, cerca de 500 abutres morreram na Namíbia pelo mesmo motivo. Isso acontece para evitar que as autoridades locais percebam ação de caçadores ilegais de marfim.

A perda de abutres nos ecossistemas tem um sério risco ecológico, pois eles exercem uma tarefa de sanitarização do ambiente, retirando os detritos nos quais bactérias, vírus e outros organismos poderiam se desenvolver e afetar até mesmo a saúde do homem.  Com a ausência dessas aves, problemas epidemiológicos relacionados a estes patógenos aumentam consideravelmente, podendo agravar os problemas de saúde pública da região.

Para tentar alterar essa situação, algumas entidades têm investido em reprodução em cativeiro e reintrodução na natureza. No entanto, como o casal se reproduz poucas vezes durante a vida e a espécie demora a atingir a maturidade sexual, este abrute corre grande risco de desaparecer.

Curiosidades

Curiosidades Abutre-real
Curiosidades Abutre-real
  • Os abutres-reais e outras criaturas necrófagas resistem a praticamente tudo o que lhes aparece pela frente, pois possuem sucos gástricos tão potentes que são capazes de queimar quase todas as bactérias, vírus e parasitas.
  • Alguns abutres têm enzimas especifícas que decompõem as toxinas botulínicas, um dos venenos mais potentes que se tem notícia, produzidas pela bactéria Clostridium botulinum, a qual surge na carne em putrefação.
  • Outras aves necrófagas aperfeiçoaram o sistema neurológico de forma a vomitarem imediatamente após engolir carne apodrecida e impregnada de toxinas bacterianas.
  • A urina do abutre é rica em amoníaco, um potente esterilizante.
  • O ácido estomacal de algumas espécies de abutres — como o abutre-real — tem pH praticamente igual a 0, sendo tão ácido que é até mesmo capaz de dissolver vários tipos de metal.
  • Ainda com base na escala de pH, o estômago dos abutres pode chegar a ser mil vezes mais ácido do que o dos seres humanos.

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