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Muriqui do Norte: Curiosidades, Alimentação e Comportamento

O Muriqui-do-norte (Brachyteles hypoxanthus) faz parte dos primatas do novo mundo – são aqueles que vivem na América do Sul, Central e no México – e é considerado o maior deles. Detêm membros longos e uma cauda preênsil, fazendo com que ele seja bem rápido na hora de se movimentar. Seu pelo tem um tom de castanho-acinzentado, com os machos podendo ter uma coloração meio amarelada. 

Originário da Mata Atlântica no Brasil, esse animal é encontrado em Minas Gerais, Bahia, Rio de Janeiro e Espírito Santo. 

Características do Muriqui-do-norte 

Sua cauda preênsil não é só importante para sua locomoção, como para sua alimentação. Mede em torno de 46 a 49 centímetros de comprimento, com seu rabo chegando a 72 a 81 centímetros. Já o peso varia de 6,9 a 15 quilos. 

Muriqui-do-norte
Muriqui-do-norte

Alimentação 

Sua alimentação consiste em frutas, folhas, flores, videiras, casca, néctar e sementes. Também é um indivíduo conhecido por comer terra. Apesar de estranho, não é um hábito ao acaso. Isso acontece porque o animal precisa reforçar os nutrientes da sua dieta. O solo que consome tem níveis altos de alumínio, cromo, vanádio, níquel, ferro, zinco e titânio. 

Comportamento do Muriqui-do-norte

É um bicho bem sociável, por isso vive em grupos grandes, de 40 a 80 indivíduos, com machos e fêmeas. E vivendo com tantas criaturas, seria normal acontecer brigas ou disputas, seja pelas fêmeas ou por territórios, mas isso não acontece. Ele não tem um comportamento agressivo.

Enquanto os “homens” passam seu tempo em estado de tranquilidade, as fêmeas gastam a maior parte do seu dia cuidado dos filhotes ou com outras “mulheres” adultas quando não estão acasalando. Eles se comunicam por meio de sons, tanto de longas e curtas distâncias. 

Habitat 

Costuma morar em florestas tropicais, tardias e semi-decíduas, preferindo regiões com árvores grandes e com um volumoso número de plantas. Esse ambiente facilita sua movimentação, que acontece nas copas. Normalmente habita em estruturas com cerca de 13 metros de comprimento. Como seu habitat tem sofrido com alterações humanas, isso acabou tornando viagens no chão algo comum para eles. Ele vai andando pelo solo até chegar a uma área com floresta. 

Reprodução 

O Muriqui-do-norte é do tipo poligâmico, ou seja, se relaciona com vários parceiro(a)s. Isso reflete a forma com vive, já que em seu grupo não existe um animal que seja dominante ou subordinado. Para atrair os machos, a fêmea espalha feromônios por meio da urina enquanto viaja. Ela chega a acasalar com vários machos no mesmo dia. 

Sua reprodução é lenta, a gestação acontece a cada três anos, nascendo um filhote a cada novo ciclo. A fêmea tira uma “folga” de dois anos para cuidar dos bebês antes de começar o processo novamente. 

O filhote passa a maior parte do tempo nas costas da mãe, e quase nunca se arrisca a andar sozinho pelas árvores. Quando atinge os dois anos de idade, começa a desmamar e a comer outros alimentos. 

No caso das fêmeas, quando estas chegam na fase adulta migram para outro lugar e nunca mais voltam a sua comunidade original. Devido a esse comportamento, estudiosos afirmam que o parentesco entre esses primatas não existe. 

Conservação 

Infelizmente o Muriqui-do-norte tem um status de criticamente ameaçado na lista da UICN (União Internacional para Conservação da Natureza). Ele é um dos 25 primatas em maior perigo do mundo. Para se ter ideia, existem apenas cerca de 800 a 1000 Muriquis-do-norte em estado selvagem no Brasil. 

Muriqui-do-norte e do sul 

O animal foi dividido em dois grupos, os do norte e os do sul. Mas a dúvida é: existe alguma diferença entre eles? E a resposta é sim. 

Os do norte, como o próprio nome sugere, são aqueles encontrados nesta região do país, ou seja, em Minas Gerais, Espírito Santo e Bahia. Já os do sul (Brachyletes aracnoides) residem no Rio de Janeiro, São Paulo e Paraná. Mas ambos são originários da região da Mata Atlântica. 

Muriqui-do-sul
Muriqui-do-sul

A diferença entre eles está bem clara em suas características físicas, principalmente na coloração de sua face. Os do norte detêm uma coloração preta nesta região quando estão na fase de filhote, mas quando viram adultos, essa cor começa a sumir. Em alguns casos isso acontece também em suas genitais. 

Já os do sul tem essa região preta desde o nascimento até sua morte. 

Outra diferença é que o Muriqui-do-norte tem um polegar, o que não é visto nos moradores do lado sul. As cores do pelo também mudam entre eles. Os sulistas tem pelugem predominante bege com marrom meio amarelado, os do norte tem tom amarelo oliva, ferrugem ou acinzentado. 

Apesar da alimentação ser bem parecida, os moradores do sul consomem mais frutas, o que está diretamente relacionado com a maior disponibilidade desta na região em questão. 

Curiosidades sobre os Muriquis 

  • Existem registros de grupos de Muriquis com mais de 100 indivíduos. 
  • Eles têm o costume de abraçar uns aos outros. 
  • Apesar de pacíficos, não são muito fãs da presença de seres humanos.
  • Devido a destruição do seu habitat e as queimadas, muitos animais estão se isolando em ilhas da Mata Atlântica sem conexão. 
  • O Muriqui-do-norte vai perdendo a coloração do seu rosto enquanto envelhece. Essa transformação faz com que cada indivíduo se torne único, como uma espécie de impressão digital nesta criatura. Essa característica facilita sua identificação e a pesquisa de cada animal. 
  • Quando acordam, são bem preguiçosos. 
  • Como vivem e dormem nas árvores, eles usam seu rabo para não cair durante o sono. 
  • Atualmente está extinto na Bahia. 
Muriqui-do-norte
Muriqui-do-norte
  • Não apresenta dimorfismo sexual. 
  • Tem hábitos diurnos. 
  • Alcança a maturidade sexual aos 5 anos, tendo o primeiro filhote aos 9. 
  • Sofre com a caça ilegal, inclusive sendo capturado para virar animal de estimação. 
  • Muriqui em tupi significa “gente tranquila”. O que tem tudo a ver com a personalidade do bicho. 
  • Consegue dar saltos de 10 metros nas árvores. 

A fauna brasileira é tão diversa que ainda é possível se surpreender, pois, ao que parece, não conhecemos nem um terço dos animais que habitam nossas florestas. Não esqueça de compartilhar. 

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