Home / Informações / Curiosidades do Mono Carvoeiro: Habitat, Nome Científico e Extinção

Curiosidades do Mono Carvoeiro: Habitat, Nome Científico e Extinção

O nome mono-carvoeiro talvez lhe soe estranho, mas já falamos dele por aqui. Também conhecido como muriqui-do-sul ou Brachyteles aracnoides, é um primata que corre grande risco de sumir das nossas florestas devido ao crescente desmatamento do seu habitat natural: a Mata Atlântica. Seu nome traduz uma grande característica do bicho. Muriqui, no tupi, quer dizer “gente tranquila”, e é exatamente assim que o muriqui se comporta, de forma despreocupada. Vai ver que é justamente por isso que a criatura sofre tanto com a caça ilegal. 

Características do mono-carvoeiro

O mono-carvoeiro é um dos maiores primatas do continente americano, endêmico da Mata Atlântica, ou seja, ele só pode ser encontrado nesta região. Mesmo tendo um porte grande, seu comportamento difere desse torso avantajado, pois ele é um animal extremamente dócil. 

Tem pelos macios e longos em tom amarelado claro. Já sua face se contrasta com essa pelagem. Detêm a região em cor preta com um contorno branco. 

Exibe uma cauda preênsil que pode medir até um metro de comprimento, pernas e braços finos e longos. Essa característica física permite que a criatura fique pendurada nas árvores e se balance apenas se segurando com o rabo. 

Na fase adulta pode chegar aos 15 quilos e medir um metro e meio de adulta, isso apenas seu corpo. Não se esqueça do rabo de quase um metro. Está tem uma região quase perto da ponta com ausência de pelo. 

Mono Carvoeiro
Macaco mono-carvoeiro

Alimentação

Sua alimentação é composta basicamente de frutas – principalmente -, folhas e flores. O principal motivo pelo qual o primata come bastante fruta é porque é o alimento de maior concentração nas regiões onde vive. 

Aliás, ele passa bastante tempo do seu dia nesta tarefa. Tem características de animal frugívoro e folívoro. 

Habitat 

Pode ser encontrado na Bahia, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, São Paulo e acredita-se que na parte norte do Paraná. É visto tanto em matas primárias e secundárias. Atualmente ele é conhecido por ser a maior população que habita o parque estadual Carlos Botelho.

Locomoção 

Além de usar a cauda para se pendurar nas árvores, está também é a principal forma de locomoção do primata, que quase não realiza esse processo no chão. Para se movimentar, ele usa seu rabo preênsil e a mão como gancho, com essa podendo ter ou não a presença de polegar vestigial. 

Comportamento 

É um bicho bem sociável, por isso é comum vê-lo reunido em grandes grupos. Quanto mais extensa for a área de ocupação, maior será o conjunto de indivíduos. Existe registro de comunidades com 100 muriquis. Mas eles têm esse hábito não só por gostarem de viver em grande número, isso também é usado como estratégia de sobrevivência. 

Um bando com 13 bichos é composto de 4 machos e fêmeas adultas, e 5 jovens. 

Os machos costumam permanecer no mesmo grupo que nasceu durante toda a sua vida e, apesar de não ser do tipo agressivo, não gosta dos macacos de outros conjuntos. 

Ele se movimenta diariamente por uma hora e percorre cerca de 630 metros. 

A fêmea costuma ocupar uma área de 70 hectares, sendo 4 deles reservado para horas de descanso e sonecas. Não são territoriais, e acredita-se que as fêmeas dominam os machos. 

Reprodução do mono-carvoeiro

A macaca só dá a luz a um filhote por vez. Além disso, seu processo de reprodução é bem lento, com ela “engravidando” a cada três anos. Durante esse tempo ela fica focada em cuidar da cria, para só depois iniciar o ciclo de cópula novamente. 

Chama atenção dos parceiros por meio de sua urina que contém feromônios. Esta é espalhada enquanto a fêmea se movimenta. 

Esse primata tem uma relação poligâmica, ou seja, se relaciona com vários parceiros. 

Curiosidades

  • Seu nome também quer dizer gente que bamboleia, vai e vem. 
  • Usa sua cauda como um quinto membro. 
  • É muito ágil devido ao seu estilo de movimento, podendo dar saltos de 10 metros entre uma árvore e outra. 
  • É possível encontrar de 12 a 20 animais nos topos das árvores. Aliás, em decorrência disso, é muito difícil ver a criatura. 
  • A gestação da muriqui dura cerca de 7 meses. 
Brachyteles arachnoides
Brachyteles arachnoides
  • Ele é um dispersor de sementes de várias espécies de plantas, e por isso sua preservação é essencial para a diversidade da floresta. 
  • No ano de 1500 cerca de 400 mil muriquis habitavam a Mata Atlântica. Hoje, a população não chega aos 1300 indivíduos. 
  • Eles são separados em duas espécies: do norte (Brachyteles hypoxanthus) e do sul. Inclusive, ambos faziam parte da mesma classificação, atualmente estão em categorias diferentes. 
  • Acredita-se que está extinto na região da Bahia. 
  • O Muriqui-do-norte vive na Bahia, Minas Gerais e Espírito Santo. 
  • É chamado pelos índios de “povo manso da floresta”. 
  • São muitos afetivos entre si e realizam abraços longos em grupo. 
  • Os adultos sempre cuidam dos jovens e normalmente fazem pontes com o próprio corpo para o filhote conseguir se mover entre uma árvores e outra. 
  • Das principais diferenças existentes entre o muriqui do sul e do norte, podemos citar duas: a presença de polegar vestigial no segundo e também pelos brancos em seu rosto que aparecem na fase adulta. O nortenho também vai perdendo a pigmentação dessa região com idade, o que acaba tornando cada indivíduo único. 

Extinção e preservação

O mono-carvoeiro corre sério risco de sumir da natureza. Hoje, ele está classificado como altamente em perigo de extinção pela IUCN e USDI. As principais ameaças a espécie é a destruição do seu habitat natural, a caça ilegal para venda do bicho e a baixa reprodução do animal. Devido a predação, os macacos têm se isolado em áreas de difícil acesso da floresta, o que pode prejudicar a consanguinidade da raça. 

Atualmente, os principais projetos de pesquisa e preservação são realizados pela Associação pró-muriqui em São Paulo e pela família Abdala em Belo Horizonte, onde o trabalho de preservação pela Reserva Particular do Patrimônio Natural acontece desde 1971. Existem cerca de 150 animais soltos na fazenda, tornando o local o responsável por ter a maior  concentração dos primatas raros do planeta. 

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *