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Criação de Queixada e Cateto

Queixada e cateto são comumente conhecidos como porco-do-mato. A criação em cativeiro desses animais silvestres já é feita em algumas propriedades da Argentina e do Brasil. Na América Latina, de uma forma geral, os catetos e queixadas estão entre as espécies mais caçadas. Assim como a carne extremamente saborosa, a pele desses animais chama a atenção do mercado internacional, que tem como principais países importadores a Itália, a Alemanha, a França, os Estados Unidos e o Japão. Para saber se o porco é ou não cateto, basta observar uma mancha clara no pescoço, que lembra um colar.

Queixada Animal
Queixada Animal

Esse tipo de animal silvestre é utilizado para a subsistência de populações indígenas e rurais no interior do Brasil. Em terras brasileiras, a caça predatória de catetos e queixadas é considerada crime ambiental. O IBAMA é o órgão responsável por controlar e fiscalizar a captura ilegal desses animais. Caso uma pessoa esteja interessada em criar o porco-do-mato em cativeiro, é preciso recorrer ao IBAMA em busca de uma autorização.

Uma vantagem importante na criação de cateto e queixada é que esta não é uma prática de alto custo. No mercado, paga-se cerca de R$ 900 por animal que já esteja adaptado à vida no cativeiro, incluindo nota fiscal e chip. As unidades vão para o abate a uma média de R$ 12 pelo preço do quilo vivo e, posteriormente, as carnes são aproveitadas para alimentação e o couro para a confecção de bolsas, jaquetas, luvas e outros itens de vestuário.

Cateto Animal
Cateto Animal

Vale ressaltar que a carne do porco-do-mato tem registrado consumo crescente no mercado nacional. Com baixos níveis de colesterol, pouca quantidade de gordura e paladar suave, a proteína tem feito sucesso entre os brasileiros e na alta gastronomia também. Muito bem valorizada, a carne do animal chega ao varejo com preços superiores aos das carnes suínas e bovinas. Sua coloração é mais clara que a carne de porco comum.

O Passo a Passo

1º) A documentação e o projeto técnico precisa ser elaborado por um profissional especializado e encaminhado ao órgão gestor responsável pela fauna do Estado em que a criação do animal será feita. É preciso que esse órgão autorize a criação. Lembre-se: somente após vistoria e aprovação das instalações é que os animais deverão ser adquiridos e alojados no cativeiro.

Porco do Mato
Porco do Mato

2º) O cateto e a queixada são facilmente adaptáveis em diferentes regiões e sob climas diversos. O criadouro deve possuir pasto e vegetação com arbustos. Caso não haja muita sombra, é preciso construir abrigos artificiais para que o animal não fique constantemente exposto ao sol.

3º) O sistema mais recomendado é o semi-intensivo, o qual não necessita de desmatamento. Nesse sistema, os piquetes, local em que o animal ficará alojado, são feitos dentro do próprio bioma e quanto mais árvore tiver, melhor será. É possível também adotar o sistema intensivo, o qual permite aproveitar instalações já existentes na propriedade e demanda o uso de baias e de piso feito de cimento.

4º) Em relação a estrutura, é preciso construir um piquete que deverá ter uma cerca de 1,60 metro de altura, feita de tela tipo alambrado, com malha de cinco centímetros e arame fio 14, apoiada a cada dois metros em postes de concreto ou de madeira. Em um criadouro modelo para 30 matrizes, são necessários quatro piquetes de 50 por 50 metros, incluindo as fases de recria e engorda.

Criação de Queixada e Cateto
Criação de Queixada e Cateto

Cada piquete precisa possuir um pequeno curral, no qual a alimentação é servida em cochos e a contenção é realizada com equipamento apropriado. Para evitar a fuga dos catetos e queixadas por baixo da tela, é indicado instalar um baldrame enterrando, com 20 a 30 centímetros de profundidade, uma viga de concreto na base do alambrado, o que fixará a tela. De acordo com a eficiência e o manejo correto, a produção anual chega de 60 a 80 animais.

5º) Fique atento a alimentação. Um porco-do-mato adulto é capaz de consumir, em média, 700 gramas de alimentos por dia. Especialistas dizem que a dieta inclui cana de açúcar, folhas de bananeira, mandioca, batata doce, frutas, milho, hortaliças, caule de bananeira e vários outros subprodutos. Faz parte também do cardápio uma mistura farelada à base de rolão-de-milho, soja e trigo. A ração comercial para suínos é um bom substituto. A água é fornecida em bebedouro de alvenaria com dois metros por um metro e 40 centímetros de profundidade.

O que eles não comem são alimentos em putrefação, tipo carniça. Em dez ou doze meses, os catetos e queixadas já atingem de 30 a 35 quilos. Tanto o cateto quanto a queixada podem ser abatidos com um ano de idade e não precisam ser castrados. Ambos são animais rústicos, que possuem baixo índice de mortalidade e que dificilmente ficam doentes. Com o porco-do-mato, o único cuidado veterinário é a vermifugação, que pode ser misturada na ração de três em três meses.

A reprodução desses animais ocorre durante o ano todo. O período de gestação é de 145 dias e nascem um ou dois filhotes por parto. Após três meses, os filhotes de catetos e queixadas devem ser desmamados, marcados e “sexados” para, depois, serem transferidos para o piquete de crescimento e engorda, idêntico ao de reprodução. Assim, eles serão recriados até a comercialização.

Custos iniciais para criação de 20 matrizes de catetos e queixadas

Itens do Custo Inicial (R$)

Cateto

Queixada

Taxa IBAMA

250,00 250,00

Assessoria para legalizar o projeto junto ao IBAMA

500,00

500,00

Aquisição do plantel inicial

1.040,00

960,00

Materiais e mão-de-obra para construção de piquetes

1.140,00

1.560,00

Equipamentos (bebedouros, gaiolas, redes, etc)

500,00

500,00

Custo Total 3.430,00

3.770,00

Fonte: www.cpt.com.br

A criação destes animais pode ser encarada como uma possível solução para o aproveitamento de áreas improdutivas e de propriedades rurais consideradas marginalizadas por questões de pedregosidade, declividade ou baixa fertilidade. Antes de decidir investir na criação desses ou de qualquer outro animal silvestre, é aconselhável que se faça uma pesquisa de mercado, pois trata-se de animais ainda pouco conhecidos. É sempre bom ressaltar: sem mercado, não tem negócio.

Fotos de Queixada e Cateto

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