Home / Informações / Características do Urubu: Alimentação e Reprodução

Características do Urubu: Alimentação e Reprodução

Eles não são aves do melhor estilo “boa pinta”, simpáticas aos olhos humanos. Alguns especialistas as consideram de rapina como os falcões, mas a maior parte deles não. Os urubus são seres meio asquerosos, possuem cara de mau. São vistos próximos a lixões ou locais onde há muitos animais, como em praias utilizadas para pesca ou em abatedouros. O motivo é óbvio: eles são carnívoros. E gostam mesmo é da carne de animais mortos, a carniça, como é popularmente conhecida. Quando falta esse alimento, eles podem caçar pequenos animais como ratos, sapos e lagartos. Eles também fazem parte do imaginário popular, sobretudo da infância da população, com o personagem Zeca Urubu, o vilão do desenho do Pica-Pau. No desenho ele é um grande espertinho, do mal, que gosta de se meter em confusão e tenta raptar o Pica-Pau muitas vezes. Esse estereótipo é transmitido para o mundo real, evidentemente. O urubu é também o mascote oficial do Flamengo, clube com maior número de torcedores no Brasil.

Os urubus fazem parte do reino Animalia, da família Cathartidae, gênero Sarcorhamphus. Essas são as informações científicas do animal. Para buscar alimento, os urubus costumam voar alto e em círculo, utilizando as correntes de ar quente para planar e economizar energia. São encontrados, sobretudo, no continente americano.

Urubu
Urubu 

Suco gástrico muito ácido favorece os urubus

Mesmo sendo carnívoros, os urubus são diferentes de outros animais que caçam para consumir-lhes a carne, como as hienas, por exemplo. Eles não são grandes predadores. A alimentação principal é de animais já mortos, muitas vezes por doença. Mesmo assim, eles não passam mal e não têm a saúde afetada pela carne estragada dos outros animais. A dificuldade deles para caçar tem explicação. As garras dos urubus não têm a eficiência necessária para caçar animais vivos, por isso eles acabam pegando animais mortos mesmo. Adaptado a isso, o bico do urubu tem o formato mais adequado para rasgar a pele da carcaça dos outros animais. Sua cabeça e pescoço nus dificultam o acúmulo de restos alimentares nas penas durante a alimentação.

Com o suco gástrico extremamente ácido, eles conseguem digerir o alimento mesmo “passado”, o que seria um alimento vencido para nós humanos e que, na maioria das vezes, faz os humanos passarem mal. Essa característica faz com que o organismo do urubu elimine bactérias e outros micro-organismos, além de terem um sistema imunológico muito forte. A dieta deles é composta por cerca de 70% a 90% de ossos, que possuem valor calórico mais elevado em comparação à carne fresca.

Com um conceito básico de química é possível compreender a força do suco gástrico dessas aves. A escala de pH, que determina o ácido das coisas e pessoas, vai de zero a 14, sendo zero algo extremamente ácido e 14 extremamente alcalino. Só que cada valor inteiro é dez vezes mais ácido do que o valor seguinte, ou seja, zero é muito mais ácido do que 1. Pilhas tem cerca de 0,8 de ácido, enquanto o estômago humano possui algo entre 1 e 3. O urubu-de-cabeça-vermelha, por exemplo, tem pH próximo a zero, isso quer dizer que poderia, inclusive, derreter alguns metais.

Com essas características peculiares às aves em geral, percebe-se que não é em vão que eles conseguem se alimentar de carne estragada, muitas vezes. Os animais se adaptam e com o urubu não poderia ser diferente. Com um organismo totalmente voltado a isso, ele consegue ajudar o meio ambiente eliminando bactérias e diminuindo o tempo que os animais ficariam apodrecendo, podendo gerar doenças em algumas comunidades. Por isso eles possuem importância ambiental também.

A reprodução dos Urubus

Já imaginou como nasce um urubuzinho filhote? Não, ele não nasce grandão, mas sim com aparência diferente dos adultos. Das sete espécies de urubu existentes, cinco ocorrem no Brasil: urubu-rei, urubu-da-mata, urubu-de-cabeça-vermelha, urubu-de-cabeça-amarela e o urubu-de-cabeça-preta. Na reprodução os urubus possuem hábitos um pouco diferente das aves de que se tem mais conhecimento, tal qual na alimentação. Uma delas é que eles não constroem ninhos, mas sim, utilizam fendas ou plataformas em penhascos ou árvores ocas para fazê-los. Alguns utilizam prédios para esconder seus ovos, inclusive. Geralmente a reprodução ocorre na primavera. A quantidade de ovos varia de dois a três, geralmente, com um período de incubação que varia de 49 a 56 dias, a depender da espécie.

A procriação dos urubus ocorre uma vez por ano. A coloração dos ovos dos urubus é cinza esverdeada. Com 10 a 12 semanas de vida, os filhotes são capazes de alimentarem-se sozinhos.

Na conquista da fêmea o macho busca seduzi-la pulando no solo, com as asas abertas – mostrando toda sua envergadura – e no ar realiza voos nupciais, mostrando sua agilidade e dando rasantes em alta velocidade. O casal executa manobras aéreas barulhentas enquanto rola esse momento pré-reprodução.

Os filhotes possuem penugem bege-marrom quando recém-nascidos, depois ficam brancos pela falta de melanina, até adquirirem a plumagem definitiva, que é preta. Tanto o macho quanto a fêmea cuidam dos filhotes durante meses.

Urubu filhote
Urubu filhote

O sistema reprodutivo da fêmea é o mesmo encontrado em outras aves. A urubu fêmea possui apenas um ovário, que produz grandes óvulos, também chamado de gema. Quando fecundado pelo espermatozoide masculino, forma o zigoto, embrião do novo ser vivo. O ovo, ao fim, sai pela cloaca, um longo canal que percorre o corpo do animal.

É assim, de dois em dois ovos que os urubus vêm ao mundo. E é comendo restos de animais que eles ajudam a equilibrar ecossistemas. Com cara de mau, olhos atentos e bom olfato é que eles se desenvolvem, tendo papel importante em seu ecossistema e ajudando inclusive os humanos, evitando infestações e ajudando na decomposição – ou seria no sumiço? – de animais mortos.

É importante salientar que não, eles não fazem qualquer mal aos seres humanos. Não atacam, não machucam. Urubus não são ameaçadores. Talvez isso ajude as pessoas a terem menos preconceito com essa ave.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *