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Características do Peixe-Boi-Marinho

O peixe-boi-marinho é também conhecido como manati ou vaca-marinha e é um mamífero da ordem Sirenia, que inclui os mamíferos marinhos herbívoros. Pertence à família Trichechidae e à espécie Trichechus manatus, podendo ser encontrado em áreas costeiras rasas, rios, estuários e canais, desde o litoral dos Estados Unidos, no estado da Flórida, até o nordeste do Brasil, incluindo toda a região do Mar do Caribe. No estado da Flórida, o peixe-boi-marinho é o mamífero marinho oficial do estado, sendo uma espécie de particular interesse para os turistas que visitam a área.

O peixe-boi-marinho é capaz de resistir a grandes mudanças na salinidade e se movimentar livremente entre habitats de água doce e marinhos. Por isso, a espécie pode ser encontrada em uma grande variedade de ambientes costeiros, como rios rasos, canais, baías de água salgada, estuários e áreas costeiras marinhas propriamente ditas. É uma espécie restrita a águas tropicais e subtropicais, principalmente devido à sua taxa metabólica extremamente baixa e à ausência de uma camada espessa de gordura corporal. Embora habitem uma grande variedade de habitats, restringem-se a ambientes de águas rasas e calmas que contenham capim e algas.

Características do Peixe-Boi-Marinho

São animais grandes, com comprimento médio podendo chegar a mais de quatro metros, incluindo a cauda.  O peixe-boi-marinho possui peso médio variando entre 200 e 600 kg, mas os maiores indivíduos podem pesar até 1500 kg. As fêmeas geralmente atingem maiores comprimentos e pesos que os machos da espécie. Os adultos possuem coloração cinza ou parda, enquanto os filhotes são mais escuros.  Apesar de seu tamanho avantajado, o peixe-boi-marinho é surpreendentemente ágil na água, sendo capaz de realizar manobras complexas, incluindo cambalhotas, roladas e nadar de cabeça para baixo.

Os peixes-boi apresentam uma morfologia bastante peculiar, com formato fusiforme, com dorso ventralmente achatado e membros dianteiros na forma de nadadeiras, totalmente adaptados a uma vida aquática e sem membros posteriores. As duas nadadeiras peitorais são utilizadas na locomoção e captura de alimento e a nadadeira caudal proporciona direção e força ao movimento do nado. Apresentam uma pelagem bastante esparsa.

Hábitos e Alimentação do Peixe-Boi-Marinho

As áreas habitadas pelo peixe-boi-marinho apresentam temperaturas constantes durante todo o ano e uma fonte abundante de alimento, assim a espécie não apresenta técnicas de forrageamento, sendo, em grande parte, solitária, ocasionalmente formando grupos que são, em sua maioria, associações temporárias, independentemente do sexo ou da idade. A espécie não é territorialista e não apresenta nenhuma hierarquia social, com exceção de grupos temporários formados por machos juvenis, que surgem da exclusão dos indivíduos das atividades reprodutivas. O peixe-boi-marinho é uma espécie ativa dia e noite, descansando por várias horas próximo à superfície da água ou no fundo. A espécie evoluiu em áreas sem predadores naturais e, como resultado, não apresentam comportamentos complexos para evitar predadores. O peixe-boi-marinho utiliza várias formas de comunicação na água. As fêmeas se esfregam contra superfícies duras, possivelmente secretando um cheiro para transmitir informações sobre seu estado reprodutivo. O peixe-boi-marinho apresenta uma capacidade aguda de ouvir e a comunicação verbal é usada frequentemente para manter o contato entre as fêmeas e seus filhotes.

Características do Peixe-Boi-Marinho
Características do Peixe-Boi-Marinho

O peixe-boi-marinho apresenta hábito alimentar majoritariamente herbívoro, alimentando-se de uma ampla variedade de plantas aquáticas que crescem no fundo do mar, principalmente o capim marinho. A espécie é uma comedora oportunista, comendo as folhas da maioria das plantas que podem ser manipuladas e arrancadas pelo seu lábio superior, além de usar suas nadadeiras para escavar as raízes dessas plantas. Esse comportamento é denominado pastagem. Alguns indivíduos também podem se alimentar de invertebrados e pequenos peixes. O peixe-boi-marinho chega a pastar até 8 horas por dia, consumindo de 5 a 10% do seu peso corporal. Esse excesso de alimentação é devido, principalmente, à dieta pouco nutritiva que apresenta, que também contribui para o desenvolvimento de baixas taxas metabólicas. O grande número de pequenos artrópodes consumido juntamente com a vegetação marinha e involuntariamente constitui uma importante fonte de proteína. O peixe-boi-marinho apresenta fermentação intestinal, sendo imprescindível à dieta herbívora, auxiliando na quebra da celulose.

A Reprodução do Peixe-Boi-Marinho

Embora a espécie apresente hábitos majoritariamente solitários, há formação de grupos de acasalamento quando uma fêmea está no cio, compostos por até 20 machos que perseguem a fêmea sexualmente receptiva. Assim, o peixe-boi-marinho é considerado uma espécie promíscua, apresentando cortejo reprodutivos que podem durar de uma semana até um mês. Os machos estabelecem uma hierarquia de domínio para os direitos de acasalamento, enquanto a fêmea tenta evitar os machos durante a maior parte de seu cio. Os machos adultos atingem a maturidade reprodutiva com cerca de 10 anos de idade, mas já são capazes de acasalar a partir dos dois anos.

Peixe-Boi-Marinho Filhote
Peixe-Boi-Marinho Filhote

Já as fêmeas são capazes de se reproduzir com cerca de cinco anos de idade. O período de gestação do peixe-boi-marinho varia de 12 a 14 meses e os filhotes são dependentes de suas mães por cerca de dois anos. A espécie produz apenas um filhote de cada vez, mas gêmeos já foram ocasionalmente registrados. O intervalo entre os nascimentos é de 3 a 5 anos, mas este período pode ser encurtado no caso de morte prematura de um filhote. A dupla formada pela mãe e seu filhote é a única associação estável e de longo prazo dentro da espécie e o longo período de cuidado parental pode ajudar na transferência de informações sobre rotas migratórias. A espécie apresenta expectativa de vida de cerca de 60 anos.

Estado de Conservação

O peixe-boi-marinho foi por séculos caçado por sua carne, couro e ossos e esta caça infelizmente continua em muitos países da América do Sul e Central, embora existam leis de proteção em países como Costa Rica e Venezuela. Embora seja uma espécie que não apresente predadores naturais, as populações do peixe-boi-marinho estão ameaçadas pelas atividades humanas e, devido à sua baixa taxa reprodutiva, é difícil para a espécie se recuperar de um declínio. Uma das principais causas de mortalidade do peixe-boi-marinho são colisões com barcos a motor, aprisionamento em eclusas e em redes de pesca. Além disso, o escoamento agrícola e industrial danifica o leito marinho e as pastagens marinhas e, consequentemente, sua principal fonte de alimento, além da ocupação desordenada do litoral, principalmente no Brasil, acarretando em perda de habitat. No Brasil, o grau de risco da espécie encontra-se como “em perigo”, pois sua população está muito reduzida em relação à original, com estimativas de abundância baixas, entre 500 e 1.000 indivíduos de peixe-boi-marinho.

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