Home / Informações / Características da Mosca Tsé Tsé: Reprodução, Habitat e Fotos

Características da Mosca Tsé Tsé: Reprodução, Habitat e Fotos

Apesar de parecer um animal aparentemente inofensivo, que invade nossa casa após uma fritura, a mosca pode ser mais perigosa do que imaginamos. Muitas delas são vetores de diversas doenças, como é o caso da mosca tsé tsé, responsável por transmitir a perigosa doença africana do sono. Ela também transmite a doença da nagana, comum entre os bovinos.

Sobre a mosca tsé tsé

Seu nome advém de um dialeto banto da África equatorial, uma região banhada pelo rio Comigo e seus afluentes. É considerado o coração verde do continente, e é justamente nesta área úmida que mora a mosca tsé tsé e muitos outros insetos. A criatura pertence ao gênero Glossina, da família Glossinidae.

Esta tem três espécies diferentes, mas todas com uma cor âmbar e com a boca em formato de tubo – fino.    

Essa estrutura facilita o inseto de exercer sua principal função: sugar sangue – seu alimento. A tsé tsé consegue consumir uma quantidade do líquido equivalente ao peso do seu corpo.

Em seu torso carrega tripanossomos, parasitas unicelulares do sangue de animais. Em função disso, esse protozoário pode infectar uma variedade de indivíduos, cavalos, zebras e até jumentos. Assim como os homens, que são afetados pela doença do sono quando picado por esse bicho. 

Apesar de parecer a vilã da história, não é ela a responsável pela doença, a criatura apenas transmite essa. Mas isso não diminui seu papel e em decorrência desta criatura, foram desenvolvidos vários tratamentos contra essa mazela na bacia do Congo, seu habitat natural.

Mosca Tsé Tsé
Mosca Tsé Tsé 

Características físicas 

O indivíduo é grande e bem forte, com 0,5 a 1,5 centímetros de comprimento. Exibe um abdômen avantajado, que é mais curto que suas asas. Estas ficam completamente dobradas quando o bicho está em repouso, fazendo com que uma fique sobre a outra. 

Habitat 

Atualmente se encontra espalhada em Chade, Senegal, e na parte do oeste do continente até o lago Vitória. 

Reprodução da mosca tsé tsé

Como muitos insetos, a tsé tsé não bota ovos, mas sim, larvas. Estas se enterram no chão e depois de algumas horas elas se transformam em pupas, uma fase intermediária entre larva e adulto, com casulos castanhos rígidos. Após seis semanas elas amadurecem e já estão prontas para carregarem os tripanossomos.  

Transmissão 

Após adquirir os tripanossomos, que são do tamanho de um glóbulo vermelho de sangue, este entra no tecido subcutâneo por meio da picada da criatura. Logo em seguida, os protozoários se encaminham para o sistema linfático e, a partir daí, chegam na corrente sanguínea, atravessando o sistema nervoso central, invadindo o cérebro e consequentemente levando o paciente a morte se o diagnóstico não for feito de forma rápida e o tratamento, iniciado. 

Sintomas da doença do sono 

Um dos fatores mais preocupantes com relação a doença do sono é que a maioria é assintomática. Ou seja, o paciente carrega a mazela por anos sem sentir os sintomas ou sem se dar conta deles. Esse tipo é responsável por pelo menos 90% dos infectados na África. Ela é ruim porque quando finalmente a pessoa percebe que tem algo errado, a doença já está muito avançada, já tendo chegado ao cérebro. Caso isso aconteça, pouca coisa pode ser feita. 

O segundo tipo de infecção é mais fácil de ser diagnosticado, mas é mais rara de acontecer. A vítima começa a sentir os sintomas apenas algumas semanas ou meses após a picada, com a morte sendo mais rápida se o tratamento não for iniciado com rapidez. 

Em ambos os casos, o doente apresentar febre, dores de cabeça e musculares, fadiga, alteração na personalidade, confusão mental grave e problemas na coordenação motora. 

Mas existe um fator que pode ajudar a identificar a mazela: a picada da mosca. Ao contrário da maioria das espécies que insere sua língua fina na nossa pele, a tsé tsé tem minúsculas serras em seu tubo que rompem ao tecido, o que com certeza não deve ser uma experiência nada agradável. Sendo assim, caso vá para região e sinta alguma dor sem explicação na pele, é bom procurar um médico. Melhor prevenir do que remediar. 

Outras formas de evitar a picada desse inseto é usando roupas grossas e que cobrem todo o corpo, assim como a aplicação de repelentes. 

Doença do sono nos últimos anos 

Apesar de letal se não tratada a tempo, a doença do sono não tem matado tanto no últimos anos.

No começo do século 20, milhares de pessoas foram infectados. Em 1960, ela foi considerada sob controle, mas o cenário mudou em 1970, com uma epidemia da mazela se espalhando e que demorou 20 para ser controlada. Desde então, diversos programas de rastreio e intervenção vem reduzindo o número de casos mais graves. 

Para se ter ideia, em 2009 apenas 10 mil infecções foram computados desde que os registros referente a doença começaram. Em 2015 esse número caiu para menos de 3 mil casos, de acordo com o Ministério da Saúde (OMS). A entidade espera que a mazela seja eliminada por completo ainda este ano. 

Mas os resultados positivos não devem ser comemorados antecipadamente, pois pode haver diversas infecções não registrados nas zonas rurais da África, local onde a doença se espalha em maior número. Para isso, é necessário acompanhar a proliferação de perto. 

E segundo novos estudos, o parasita é mais complicado do que se imaginava. Até então pensava-se que se tratava de uma doença de sangue, já que a espécie T. brucei é facilmente identificável nesta substância nas vítimas. Mas, com novas informações, este também se acomoda na pele e na gordura dos pacientes. Pode, inclusive, ter um maior número neste tecido do que no próprio sangue. O que faria da região um tipo de reservatório escondido da mazela. 

Mosca Tsé Tsé
Mosca Tsé Tsé

Isso explicaria, inclusive, a misteriosa epidemia da década de 70, e o do porquê a doença ter ressurgido em regiões onde tinha sido erradicada. 

Como dito, o paciente pode viver anos bem sem apresentar qualquer sintoma, e é por isso que a doença é tão preocupante. 

A OMS tem trabalhado em diversas formas de combater a doença na África, mas sabemos que é uma tarefa muito difícil por se tratar de uma região com uma sistema de saúde no mínimo precário. 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *