Home / Informações / Ave que Come Ossos: o Urubu-barbudo Vermelho

Ave que Come Ossos: o Urubu-barbudo Vermelho

Reino: Animalia

Filo: Chordata

Classe: Aves

Ordem: Falconiformes

Família: Accipitridae

Género: Gypaetus

Espécie: Gypaetus barbatus

Urubu-barbudo Vermelho
Urubu-barbudo Vermelho

Também conhecido como abutre-das-montanhas, abutre-dos-cordeiros, quebra-ossos e abutre-barbudo, o urubu-barbudo vermelho é uma ave originária das montanhas da Europa, Ásia e África. Considerado de grande porte, o animal pode chegar a atingir o peso de 12,5 kg, 1,10 metros de comprimento e 2,75 a 3,08 metros de envergadura. Mas o mais curioso é que esta ave alimenta-se quase que exclusivamente de ossos.

O urubu-barbudo vermelho voa a grandes alturas e solta os ossos dos animais sobre rochas para quebrá-los. Eles aproveitam a medula óssea, enorme fonte de proteína e que não é comumente ingerida pelos outros animais.

Características

O Gypaetus barbatus caracteriza-se por ter a cabeça e o peito vermelhos ou dourados, pois os animais dessa espécie têm o hábito de banhar-se em terra rica em óxido de ferro, responsável pela coloração peculiar. Muitos estudiosos ainda debatem esse costume dessa ave; as teorias vão desde a regulação da temperatura do corpo e combate aos parasitas até o simples fato de o macho querer atrair as fêmeas com uma cor mais chamativa. O bico é enganchado, as patas são curtas e as asas são compridas e pontiagudas.

Outro fato interessante é que essa espécie, diferente dos outros abutres, possui pelagem no pescoço. Essa “barba” se deve ao fato de que, como eles se alimentam de ossos, não há necessidade de enfiar a cabeça na carcaça. Além disso, as asas são pretas e a cauda tem formato arredondado.

A Alimentação do Urubu-barbudo

Alimentação do Urubu-barbudo
Alimentação do Urubu-barbudo

Os urubus-barbudos são a única ave especializada em ossos e chegam a desprezar a carne de uma carcaça, esperando que outros abutres a limpem para, depois, entrar em ação e engolir os ossos. Quando o osso é muito grande, como no caso do fêmur, é preciso recorrer a uma técnica especial. A ave agarra seu alimento, que pode chegar ao seu próprio peso, e decola. Em seguida, procura por uma superfície dura e larga o osso. Depois, basta descer e comer os fragmentos.

Para as aves jovens, essa técnica pode demorar até sete anos para ser aperfeiçoada. Tartarugas costumam ser alvo do barbudo por meio da mesma metodologia. Há registro também de hiraces, lebres, marmotas e lagartos-monitores que foram mortos da mesma maneira.

A Reprodução do Urubu-barbudo

Reprodução do Urubu-barbudo
Reprodução do Urubu-barbudo

O urubu-barbudo pode chegar a 40 anos de idade. A maturidade sexual do Gypaetus barbatus ocorre aos cinco anos de idade e, após ser atingida, a espécie tem um filhote a cada dois anos. Em seu comportamento sexual é comum que uma fêmea esteja pareada com dois machos. Nesse caso, ambos os machos ajudam a criar o filhote até que este chegue à idade de voo. O ninho é feito em plataforma de ramos em cavernas de penhascos.

Perigo de Extinção

Estima-se que existam menos de 10 mil exemplares do Gypaetus barbatus no planeta. Esse é um número baixo e equivale, por exemplo, ao número de pessoas em um ou dois quarteirões da cidade de São Paulo. Algumas lendas urbanas, como aquelas que dizem que o abutre-barbudo carregava crianças em suas garras, contribuíram para a caça desses animais em diferentes regiões, principalmente na Europa.

Além disso, os humanos têm o hábito de caçar os mesmos mamíferos que os abutres comem, o que reduz a quantidade de alimento disponível. Isso, somado às políticas que proíbem o descarte de carcaças a céu aberto, como ocorrido na União Europeia, resultou na extinção do Gypaetus barbatus em países como a Alemanha, Suíça, Áustria, Itália, Romênia, Grécia e Albânia.

A partir de 1986, aves nascidas em cativeiro começaram a ser reintroduzidas nos Alpes da Áustria, França, Itália e Suíça. Isso ajudou no reestabelecimento de populações reprodutivas nessas regiões. Algumas ONGs, como a Vulture Conservation Foundation, vêm dando continuidade às reintroduções até hoje. O trabalho contempla também ações de divulgação junto a escolas e associações de caçadores.

Curiosidades

Urubu-barbudo Vermelho
Urubu-barbudo Vermelho
  • Os sucos gástricos dos urubus-barbudos são mais corrosivos que os líquidos de baterias de automóveis.
  • Já foi registrada a presença dessa espécie vivendo a 7.300 metros de altura no Monte Evereste.
  • No Himalaia, a ave foi observado acima da linha dos 8.000 mil metros.
  • O esôfago e papo dessa ave são como elásticos preparados para ingestão de ossos razoavelmente pequenos.
  • Nos Alpes, o quebra-ossos chegou a ser exterminada pela caça no século XIX.
  • Sua visão aguçada permite ver a carcaça de um animal até a 1,5 km de distância.
  • Os países em que o quebra-ossos pode ser encontrado são: Hungria, Espanha, Irão, Iraque, Paquistão, Mongólia, Argélia e Sudão.
  • Em Portugal, os quebra-ossos mortos pelo rei D.Carlos em 1878 estão conservados no museu de Coimbra.
  • O período reprodutor do Gypaetus barbatus é extremamente longo, começando logo em finais de janeiro com a construção ou arranjos dos ninhos.
  • Entre fevereiro e abril, as fêmeas põem um ovo apenas e o período de incubação dura de 54 a 56 dias.
  • As crias, depois de saírem dos ovos, demoram cerca de 95 a 120 dias até se tornarem independentes.
  • A deusa egípcia Mut é considerada a deusa abutre. Mut é geralmente representada na arte egípcia como uma mulher com cabeça de abutre ou, mais frequentemente, como um abutre branco usando a coroa “hedjet”, do Alto Egito. De asas abertas, a deusa representa proteção do rei ou do Egito.

A Lenda da Morte Trágica de Ésquilo

Morte Trágica de Ésquilo
Morte Trágica de Ésquilo

Ésquilo foi um dramaturgo da Grécia Antiga e reconhecido como o pai da tragédia. Ele é o mais antigo dos três trágicos gregos cujas peças ainda existem, os outros são Sófocles e Eurípedes.

Reza a lenda que, certo dia, Ésquilo fazia um passeio em Gela, na Ilha de Sicília, quando, de repente, um abutre quebra-ossos que sobrevoava com uma tartaruga presa nas suas patas confundiu a sua careca do dramaturgo com uma pedra e deixou a tartaruga cair em cima da sua cabeça, matando-o em 456 ou 455 a.C.

Sendo verdade ou não, fato é que o Gypaetus barbatus é uma de várias espécies que correm sérios riscos de desaparecerem do mapa graças a ação do homem. É preciso criar a consciência sobre a importância desse animal para o ecossistema e pensar em maneiras de proteger sua longevidade.

Veja também um excelente artigo sobre o urubu rei e seu habitat.

Fotos do Urubu-barbudo Vermelho

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *