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As Raças Indianas de Bovinos: Zebu Gir, Guzerá e Nelore

As raças de origem indiana pertencem ao grupo Zebu e são bem famosas no Brasil e vêm desempenhando fundamental participação no desenvolvimento da pecuária tropical. São elas, por ordem de importância histórica: a Gir, a Guzerá e a Nelore.

Há também as raças Indubrasil e Tabapuã que, embora sejam do grupo Zebu, não podem ser consideradas indianas puras, pois foram geneticamente formadas no Brasil. Esse é também o caso da raça Brahman, que foi criada nos Estados Unidos por meio de cruzamentos entre raças indianas.

Raças Indianas de Bovinos
Raças Indianas de Bovinos

Neste artigo, falaremos sobre as raças puramente indianas. Então vem com a gente!

Gir

Esta é uma raça original do sul da Índia e também uma das principais raças utilizadas no Brasil para produção de carne e leite. As primeiras importações brasileiras desta raça ocorreram 1906 e se intensificaram entre 1920 e 1940.

O gado Gir é composto por animais com uma musculatura muito forte e que se desenvolvem com rapidez satisfatória. Trata-se de um animal com boa aparência, dócil, vigoroso e de boa conformação. Em solo brasileiro, essa raça ocupa o segundo lugar entre os animais registrados na Associação Brasileira dos Criadores de Zebu e é muito apresentada em exposições agropecuárias.

Gir Boi
Gir Boi

Os bovinos da raça Gir são considerados de porte médio. A cabeça possui largura e comprimento médios, com perfil “ultra convexo”. Sua pelagem pode apresentar diversas tonalidades de cores: vermelho, amarelo, branco, preto ou cinza.

Os chifres são grossos na base e de coloração escura. Na maioria das vezes, eles saem para baixo e para trás, dirigindo-se um pouco para cima e encurvando-se para dentro, onde as pontas se convergem.

Os olhos são pretos, localizados lateralmente e protegidos por rugas da pele. As orelhas são longas, finas e pendentes. A região nasal é escura e larga, com narinas dilatadas e afastadas.

Gir, Boi Indiano
Gir, Boi Indiano

O corpo da raça Gir é amplo e comprido. Nos machos, o pescoço é musculoso e possui tamanho mediano, unindo-se ao tronco de forma harmoniosa. Já na fêmea, o pescoço é mais fino e comprido. A barbela (pele pendente sob o pescoço) é média e pode chegar até o umbigo nos machos, enquanto nas fêmeas ela é mais reduzida mais macia. Ambos possuem peito largo e saliente.

A famosa corcova é volumosa, porém é menor no corpo das fêmeas. O dorso e o lombo são horizontais e largos. O tórax é profundo, com costelas bem arqueadas e separadas. Os membros anteriores e posteriores são ligeiramente curtos e afastados, mas com grande cobertura muscular.

Guzerá

A raça Guzerá, como é conhecida no Brasil, corresponde ao Kankreg na Índia. É um dos zebuínos mais antigos e, em território indiano, destaca-se como um dos mais numerosos rebanhos.

Ao nascer, os bovinos Guzerá apresentam baixo peso: aproximadamente 30kg os machos e 28kg as fêmeas. Mas, quando adultos, transformam-se em animais de grande porte, chegando a pesa 1,3 toneladas.

Eles possuem aspectos gerais de um animal vigoroso, bastante ativo, de bom desenvolvimento e com musculatura compacta e ossos fortes e finos. O corpo é amplo e comprido, com um tronco de formato cilíndrico, profundo, longo e com boa cobertura de músculos. A cabeça desse zebuíno é relativamente curta, larga e expressiva.

Guzerá Boi
Guzerá Boi

Os olhos são negros e de formato elíptico, com órbitas ligeiramente salientes. As orelhas são médias e relativamente largas de pontas arredondadas, com uma coloração alaranjada em seu interior. A barbela é discretamente desenvolvida, de tamanho médio, enrugada e que termina no externo.

A corcova tem tamanho mediano e é um pouco inclinado para trás, com formato semelhante a uma castanha de caju. Nas fêmeas, essa parte do corpo é pouco desenvolvida.

Guzerá e Filhote
Guzerá e Filhote

A pelagem da raça Guzerá varia da coloração cinza clara a cinza escura, com tons pardos prateados. Nas regiões da cabeça, pescoço e extremidades possuem coloração mais escura. A vassoura da cauda, o espelho nasal e as pálpebras são pretas. Vale destacar que a pelagem da fêmea tende a ser mais clara do que a do macho.

A raça Guzerá pode ser considerada de aptidão mista, apresentando bom desempenho tanto para corte quanto para leite. Como gado de corte, esse zebuíno alcança excelentes pesos em competições. Já como gado leiteiro, as vacas adultas conseguem ultrapassar a marca de 5.000 litros de leite por lactação.

Nelore 

O Brasil é hoje o segundo maior país criador de zebu e o principal na exploração do gado de origem indiana com finalidades econômicas. Dentre as diversas raças bovinas que são cultivadas aqui, a mais comum é a raça Nelore.

O Nelore mostrou-se ser o melhor gado para o Brasil devido a sua adaptabilidade ao clima tropical do país. Essa raça é também muito utilizada para o que se chama de “cruzamento industrial”, ou seja, cruzamento de gado zebu com o gado europeu (taurino).

Nelore Boi
Nelore Boi

Como características padrão, podemos citar: pelos curtos, finos e lisos que auxiliam na eliminação do calor; pelagem branco-cinza e pele preta apresentam um conjunto de propriedades físicas que refletem, absorvem, irradiam e filtram as diversas radiações solares da região tropical.

O Nelore tem a seu favor uma boa conformação, cabeça pequena e leve, ossatura fina e também leve. Todas essas características contribuem para o bom desenvolvimento do animal. Além disso, esse zebu possui bons aprumos, cascos e ligamentos firmes, umbigo curto e vergalho bem direcionado, com testículos largos, bem conformados e curtos.

Nelore Boi
Nelore Boi

Essa raça zebuína apresenta algumas variações. São elas: o Nelore mocho, o Nelore de Pelagem Vermelha e Amarela e o Nelore Malhado de Preto. O primeiro tem seu primeiro registro datado em 1969 e veio a se tornar um dos mais importantes grupamentos devido ao seu contingente e a qualidade do rebanho. O segundo foi registrado pela primeira vez em 1984, já sendo criado em várias fazendas. Por fim, o terceiro também data de 1984 e há tempos já vem sendo selecionado por um pequeno número de criadores e apresentando bons resultados.

Essas foram as três bovinas puramente indianas. Se você gostou, não deixe conferir os nossos outros artigos que tratam desse tema. Deixe aqui o seu comentário e siga o Portal dos Animais no Facebook!

Mais informações sobre os Zebus Gir, Guzerá e Nelore

Origem do Gir

A península de Kathiawar, no oeste da Índia, é o principal habitat da raça bovina Gir. Nesta região, a temperatura máxima média na sombra no verão é de 36 a 37 ° C e o mínimo no inverno chega a 15 ° C e a umidade da região é muito alta.

O primeiro gado Gir na América chegou ao Brasil, onde se espalhou amplamente nas províncias do centro e do sul. O gado mexicano Gir é de origem brasileira. Foi exportado do Brasil para os Estados Unidos para formar o Brahman Vermelho.

Os primeiros animais do gado Gir chegaram ao Brasil provavelmente no ano de 1906 provavelmente em uma das importações feitas por Teófilo de Godoy. No entanto, o Sr. Wirmondes Machado Borges, criador do Triângulo Mineiro, afirmou ter sido o introdutor da raça, em 1919.

Esta raça de grande potencial leiteiro tem a capacidade de sobreviver, crescer e reproduzir de forma eficiente em climas tropicais resistentes a altas temperaturas, forragens e doenças de baixa qualidade.

Características

Sua principal caracterização é uma cabeça de perfil ultra convexo com testa arredondada na forma de uma cúpula, com orelhas longas e pendentes, com chifres que crescem para trás e em espiral para cima. Eles geralmente são coloridos, variando de vermelho a branco.

É de tamanho médio e a sua distinção mais importante é a conformação de sua cabeça, que tem uma frente muito ampla e convexa que a torna inconfundível.

A cor típica é branca salpicada de vermelho tendo tensões com mais vermelho que branco. O pescoço é curto e grosso nos touros e magro nas vacas. A corcova é grande em forma arredondada.

Origem do Nelore

A força da seleção natural no ambiente hostil da Índia durante séculos suportou os antepassados ​​do atual Nelore e serviu para o moldar anatômica e fisiologicamente, de acordo com um denominador comum: grande capacidade física para aumentar a sobrevivência com base no vigor, fertilidade e longevidade, condições que resultaram em um temperamento ativo.

Esta raça teve origem na Índia, especialmente na costa sul, onde existem alguns distritos com o nome desta raça, na província de Madras, porém com o nome Ongole. Sua origem remonta a mais de 3.000 anos.

No entanto, eles levaram para o Brasil, onde foi finalmente chamado NELORE por alguns autores que começaram a chamar assim, como sinônimo de Ongole, para um importante grupo étnico introduzido a partir desse distrito.

Mas, no século XX, formam o maior número de raças de gado no Brasil tornando-se uma elevada percentagem no inventário de gado e abrangendo todo o seu território. Foi geneticamente melhorado, graças à rigorosa seleção dos quais tem sido alvo por parte de criadores e técnicos da Associação Brasileira de criadores de zebu.

Características do Nelore

A raça Nelore é caracterizada, em geral, por animais de tamanho médio a grande, com pelagem branca, cinza e manchada de cinza. Encontra-se, no entanto, em uma escala muito menor com outras pelagens diferentes dos chamados “ideais”, que são permitidos no padrão da raça. São eles: vermelho, amarelo, preto e suas combinações com o branco, formando os chamados casacos pintados de vermelho, amarelo ou preto.

A cabeça é bastante típica, na forma de um caixão quando vista de frente e lateralmente com um perfil convexo, principalmente do sexo masculino.

Os olhos são elípticos, pretos e vivos. As orelhas são curtas, simétricas entre as bordas superior e inferior, terminando em uma forma de lança. O lado interno das orelhas é virado para a frente e apresenta movimentos ao vivo.

Os chifres são escuros, firmemente implantados no crânio, cônicos e mais grossos na base da seção oval. Nascem, acompanhando o perfil da cabeça. Com o crescimento, eles podem ser direcionados para fora, para trás e para cima, ou curvados, às vezes para trás e para baixo. Chifres móveis são permitidos, listrados em branco, assimétricos ou com pontos ligeiramente curvados para a frente.

A ausência de chifres é permitida, constituindo a variação mocha da raça, cujo registro genealógico remonta ao ano de 1961. Os machos têm músculos compactos e bem desenvolvidos, com barba dobrada e solta, umbigo curto, bainha leve e prepúcio. As fêmeas têm musculatura menos desenvolvida, assim como a barbada.

O úbere da vaca é pequeno, apresentando mamas de tamanho médio e muito funcional. A corcunda está bem implantada na cernelha e tem a forma de uma noz apoiada nas costas dos machos. Nas fêmeas é menos desenvolvido e menos caracterizado em termos de forma e suporte.

Origem do Guzerá

Sua região de origem é o estado de Bombai, na Índia. Como o Gir, vem de uma zona de clima quente de solos secos e pobres.

O Guzerat, portanto, tinha mais a ver com os povos dravidianos que, por sua vez, mantinham alguns laços com o Crescente Fértil, o Egito, a Ásia Central e a Ásia Oriental.

Os selos e ilustrações, que foram mantidos no Museu de Bagdá, provam que o Guzerá já havia sido muito estimado na região dos grandes reinos da Assíria e Babilônia, sucessores da civilização suméria.

Estátuas de ouro no Museu de Bagdá mostram o Guzerá  exatamente como é hoje, mas foram feitas entre 4000-5000 anos atrás.

Características do Guzerá

Os animais da raça Guzerá são imediatamente destacados por seu tamanho, altura, cabeça grande e chifres em forma de lira.

As cores da pelagem mudam de cinza claro para preto, bem pigmentadas, membros bem desenvolvidos com boa musculatura, o que ajuda o Guzerá a andar muito sob o sol tropical. Ele foi bem adaptado para os trópicos.

Como em todas as raças de zebu, os bezerros pesam pouco ao nascer (machos 29 kg e fêmeas 28 kg) sem problemas de parto difícil, mesmo no primeiro parto do novilho ou nos outros partos.

As fêmeas adultas podem atingir 600 kg e os machos, 1.000 kg. Vacas adultas podem medir 155 cm de comprimento corporal e 150 cm de altura. Os machos podem medir 170 cm de comprimento de corpo e 160 cm de altura de fundo.

Tem um corpo vigoroso, com um peito largo, costas retas e uma protuberância desenvolvida. Apresenta chifres em forma de lira, testa achatada ou côncava, olhos elípticos e rugas proeminentes no arco supraorbital. As orelhas são de tamanho médio e pontas arredondadas e o umbigo e o prepúcio são de formato reto.

A raça Guzerá possui uma grande capacidade torácica e abdominal com muito boa massa muscular.

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