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Taxonomia – Como funciona o sistema de classificação dos seres vivos?

O ser humano tem a tendência natural de organizar os objetos por classificação. Quem ao fazer compras para casa nunca separou em lugares específicos as comidas dos produtos de limpeza? Ou então, as comidas de geladeira das comidas que não precisam ser mantidas na geladeira? A organização, nesse caso, é essencial para facilitar que encontremos os objetos desejados. E na biologia não é diferente!

Todos os seres vivos são classificados em grupos sob alguns critérios conforme suas características. Esse tipo de classificação e identificação dos organismos vivos é estudada por um ramo da biologia: a taxonomia. É usada a nomenclatura para dar nome aos indivíduos e a que grupos eles pertencem, o que podem ser grupos grandes ou apenas um indivíduo e cada pedaço agrupado desse indivíduo é chamado de táxon.

A taxonomia é praticada pelos biólogos chamados de taxonomistas e ela é considerada uma subdisciplina da biologia. Os taxonomistas executam um trabalho crucial para o estudo da conservação e biodiversidade dos seres vivos. Sem o estudo desses profissionais, é impossível estimar com exatidão a quantidade de diversidade de organismos presentes em determinada área.

Classificação dos Seres
Classificação dos Seres

História

Muito antes da taxonomia no seu modelo atual existir, modelos taxonômicos já eram praticados na Grécia antiga. Aristóteles classificou os animais como: os que possuíam sangue e os que não possuíam. Porém nesse caso ele só analisava e classificava os animais, deixando de lado as plantas.

Mas foi em 1735 que Carl Von Linné revolucionou este modelo de estudo, dando vida ao Systema Naturae, que vigora até hoje, dando nome aos grupos de organismos de táxons. O seu método abordava a criação de algumas categorias taxonômicas, o que tornava o estudo muito mais preciso.

No século XIX, influenciado por teorias darwinistas da evolução, o evolucionismo foi aceito para esclarecer a origem das espécies dos organismos e seres vivos e duas respectivas adaptações. A partir de então, as teorias de classificações foram revisadas com base nas teorias evolutivas.

Recentemente, já no século XX, o pesquisador do tema Robert Whittaker tornou o sistema mais completo, adicionando acréscimos ao sistema criado por Linné. Ele incluiu uma nova categoria, o que tornou o estudo mais completo ainda. Também nessa mesma época, Carl Woese, fez um novo adendo às categorias, deixando mais completo o estudo dos seres vivos, dando ênfase aos seres microscópicos.

Levando em consideração que todas as teorias podem ser alteradas, visto que novos conhecimentos são adquiridos a todo momento, nenhum conceito ou teoria pode ser considerada definitiva. Desta forma a ciência vai evoluindo e aperfeiçoando a cada instante.

Taxonomia Seres
Taxonomia Seres

Categorias taxonômicas

Segundo Linné, existe um táxon maior que engloba e desmembra os táxons menores. A espécie é o táxon mais básico por possuir organismos únicos e semelhantes que conseguem se reproduzir entre si de forma natural. Acima da espécie encontra-se o gênero, que possui espécies similares. Após o gênero está a família, onde encontramos gêneros semelhantes. Logo em seguida vem a ordem, a qual possui famílias com características aproximadas. Depois desse táxon vem a classe, onde possui seres com ordens similares. Em seguida vem o filo, que abrange as classes semelhantes. Por último encontra-se o reino, que abrange todos os táxons mencionados anteriormente.

É importante ressaltar que o estudo aplicado inicialmente por Linné não continha os táxons família e filo. Além destes, atualmente outros táxons intermediários foram acrescentados, são eles o subfilo, superclasse, infraclasse, subfamília, superfamília e subgênero.

Após explicado como funcionam os táxons, vamos observar como é a taxonomia dos cães:

  • Reino: Animalia
  • Filo: Chordata
  • Classe: Mammalia
  • Ordem: Carnívora
  • Família: Canidae
  • Gênero: Canis
  • Espécie: Canis lupus
Taxonomia
Taxonomia

Foi visto, conforme exemplo acima, que foi utilizada uma nomenclatura científica para a espécie e foi esta forma que Linné encontrou para nomear as espécies existentes no planeta. De acordo com este sistema de nomenclatura, os nomes são formados por duas palavras em latim e veio daí o nome conhecido por sistema binomial.

Como no exemplo acima, a primeira palavra se refere ao gênero a qual o ser vivo pertence e deve começar com letra maiúscula. A segunda palavra sempre é escrita com letra minúscula e deve sempre estar acompanhada da primeira. Em um texto, deve ser escrita de forma que destaque, podendo estar em itálico, sublinhado ou em negrito.

Quando se conhece apenas o gênero do ser vivo, pode vir acompanhado de “sp” e não precisa estar em destaque. No exemplo acima, se conhecêssemos somente o gênero poderíamos nos referir à espécie como Canis sp.

O nome popular pode ser usado em conversas ou artigos mais informais, porém devido os nomes alterarem em cada região ou variarem a maneira como cada pessoa se refere, (no caso de cachorro, pode ser falado “cachorro“ ou “cão”, ou em algumas regiões do sul do Brasil, “cusco”), é orientado utilizar a denominação científica, pois é universal.

Curiosidades

  • Para facilitar a compreensão, são utilizados em algumas categorias determinadas terminações, por exemplo, na família dos animais recebe-se o sufixo idae, e na subfamília o inae (ex: família – Felidae, subfamília – Felinae);
  • Nas plantas é utilizado o sufixo aceae na família e ales quando se refere à ordem (ex: família – Rosaceae, ordem: Rosales);
  • Utiliza-se variações das categorias utilizando os prefixos “sub” e “super”;
  • Se um pesquisador publicar uma descrição de um ser vivo já descrito, prevalecerá o seu nome dado inicialmente;
  • Se for mencionado o nome de um autor de uma descrição de uma espécie, seu nome deve aparecer depois do nome específico e a data que ele descreveu vem após o seu nome, precedida por virgula (ex: Trypanosoma cruzi Chagas, 1909 (protozoário causador da Doença de Chagas);
  • A subespécie trata-se da população de uma mesma espécie que fica isolada geograficamente e que no futuro podem se tornar novas espécies;
  • A nomenclatura de uma subespécie é trinomial.

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