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Sanguessuga em Tratamentos: Porque Utilizam? Como Funciona?

Para aqueles já que passam dos 25 anos com certeza se lembram do filme Velocidade Máxima 2. O filme se passa num navio que é sequestrado pelo vilão John Geiger, interpretado por Williem Dafoe. Mas o que isso tem a ver com tema? Bom, para quem viu lembra que o personagem de Dafoe fazia um tratamento contra o envenenamento por cobre usando sanguessugas. Apesar de ser coisa de Hollywood, este tipo de tratamento já foi e voltou a ser muito comum na medicina. Quer saber para que as sanguessugas são usadas? Falaremos a seguir. 

Tratamento com sanguessugas 

As sanguessugas já foram usadas para tratar basicamente de tudo, de estrangulamento a dores de cabeça. E, ainda hoje, são uma peça vital em cirurgias. O registro mais antigo que se tem conhecimento do uso do animal na medicina foi encontrado numa tumba egípcia do ano 1500 antes de Cristo. Os médicos do Egito acreditam que as criaturas curavam qualquer coisa, desde de febre até prisão de ventre. E, como podemos comprovar hoje, século depois e com a ciência bem evoluída, eles não estavam totalmente errados. 

Atualmente elas são usadas para melhorar a circulação, principalmente no pós operatórios. Isso acontece porque o bicho libera peptídeos e certas proteínas que atuam contra a formação de coágulos. Esta propriedade anticoagulante é responsável por manter o sangue fluindo para as feridas e ajudar a cicatrizá-la. 

Tratamento com sanguessugas
Tratamento com sanguessugas

Atualmente, a Biopharm, uma fazenda inglesa, é a responsável por produzir a Hirudo verbana e medicinalis, conhecidas como sanguessugas medicinais. Elas são enviadas para todo o mundo. 

Ambas possuem duas características parecidas: mordem o hospedeiro aplicando uma espécie de anestesia local, fazendo com que a vítima não perceba a sua presença, até que ela esteja devidamente encaixada e já se alimentando. Por este motivo que uma mordida desse animal não passa de uma sensação vaga, quase passando despercebida. A partir do momento que seus dentes estão presos na pele do hospedeiro, ela começa a produzir um dos melhores anticoagulantes já conhecidos pela humanidade, fazendo com que ela possa se alimentar pelas próximas 10 horas. 

Em 2005, cerca de 50 cirurgias plásticas no Reino Unido usaram a criatura.

Ela também pode ser usada em tratamentos para doenças de articulações. As propriedades anti inflamatórias e a anestesia em sua saliva diminuem a dor e a sensibilidade na articulação afetada.

Pacientes cardíacos também podem usufruir deste tratamento. O  bicho melhora o fluxo sanguíneo e a inflamação. 

Nos últimos anos, nos Estados unidos, ela tem sido amplamente usada em pessoas com doenças vasculares e também em pós operatórios de pacientes que reimplantaram membros, pois elas auxiliam no restabelecimento da circulação do sangue entre os tecidos. E essa característica da sanguessuga é tão útil que o Estados Unidos inventou uma máquina que imita o papel do indivíduo, chupar sangue. Ela foi criada para casos em que os pacientes não ficavam muito à vontade com um animal grudado em suas peles.

A sanguessuga atrás da história 

Apesar de ter sido esquecida no começo do século 20 pelo uso exacerbado do bicho, que quase o levou à extinção e pela medicina tradicional achar que os seus efeitos não tinham base científica comprovada, esse parasita escuro, parecido com uma lesma, e de água doce começou a ser usado na Índia há cerca de 2500 anos atrás. Logo o seu sucesso medicinal chegou a Grécia antiga e se espalhou por todo o Ocidente. 

Na época, acreditava-se que muitas doenças, de dores de cabeça a uma hemorróida, eram causadas pelo excesso de sangue no corpo humano, que poderia ser resolvido o processo de sangria. E como era esse basicamente o papel da criatura, ainda sem causar dores, o tratamento ficou bem popular. Seu uso e essa crença atravessou a Idade Média, chegando até o século 19. Nesta época, os hospitais de Paris usavam até 6 milhões de sanguessugas para retirar algo em torno de 300 mil litros de sangue por ano dos pacientes. Incrível!

Sobre as sanguessugas 

Como dito, é um animal de água doce. Ela é um verme anelídeo com um corpo multisegmentado. Conta conta com 32 cérebros, 10 estômagos, 9 pares de testículo e vários dentes que deixam uma marca característica na pele – marca que aliás é bem menos invasiva que um bisturi. 

Esse invertebrado está num grupo com cerca de 15 mil espécies de vermes, sendo 650 apenas de sanguessugas. E, ao contrário do que se pensa, nem todas se alimentam de sangue humano. Muitas, devido a evolução, tem uma dieta alimentar bem específica e peculiar. Por exemplo, existe uma espécie que vive dentro do nariz dos camelos, outras comem morcegos, assim como hamsters e sapos. A sanguessuga gigante da Amazônia, que chega aos 45 centímetros de comprimento, se alimenta por meio de um canudo – probóscide – de 10 centímetros inserido em sua vítima. 

Curiosidades sobre a sanguessuga

  •  É hermafrodita e um verme temporário. 
  • Costuma medir de 6 a 10 centímetros de comprimento, sendo a da Amazônia a maior de todas. 
  • Todas são carnívoras ou hematofagas – se alimentam de sangue -. Aliás, elas conseguem ingerir até 500 vezes o seu peso dessa líquido. 
  • As que são criadas em laboratórios passam os seis primeiros de sua vida sem comer nada para poderem sugar o sangue dos pacientes que realizam cirurgias reconstrutivas.
  • Ela também come larvas de insetos, vermes, pequenos caramujos e matéria orgânica. 
  • Pode ser encontrada em todos os lugares do mundo, em menor quantidade na Antártida. Lá é possível encontrar algumas espécies marinhas que nadam nas águas geladas da região. 
Tratamento com sanguessugas
Tratamento com sanguessugas
  • Ao contrário do que se pensa, a minhoca não é a melhor isca viva para pesca. Na verdade, este posto pertence a sanguessuga. Inclusive, já existem empresas que as crias justamente para essa atividade. 
  • É bem carinhosa com seus filhos. 
  • Antigamente, era possível alugar sanguessugas na farmácia, o que não é muito recomendável. Usar o mesmo animal em diferentes pessoas é como usar uma mesma agulha em vários pacientes. 

Famosas há milhares de anos atrás, esquecidas pela medicina no século 20 e agora estrela do mundo cirúrgico. Isso que é dar volta por cima. 

 

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