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Qual a Importância Ecológica dos Diplópodes?

Parece minhoca, mas não é. Tampouco é cobra. E, apesar de parecido, também não é centopeia. Os diplópodes também fazem parte dos Artrópodes, onde se incluem as centopeias, porém são animais com característica diferentes e fazem parte de outra família no reino animal, inclusive. Com o corpo anelado e cheio de patas, estes animais são pequenos herbívoros e pouco nocivos ao ser humano. O mais comum das cerca de dez mil espécies é o Embuá ou Gongolo, também conhecido como Piolho-de-cobra.

Eles podem ter de 20 a 200 pares de pata. Seu corpo é dividido pela cabeça, que tem um par de olhos, uma mandíbula e um par de antenas curtas. Depois vem o tórax, que é pequeno, seguido de um longo abdômen. O corpo parece cheio de anéis, que são chamados de diplosegmentos. Sua locomoção é devagar e em ziguezague. O mecanismo de defesa dos diplópodes é bastante simples. Ao se sentir ameaçado, o animal costuma se fechar em círculo, protegendo-se. Nas laterais de seu corpo ele expele uma toxina roxa que possui cheiro ruim e causa irritação na pele de suas presas, incluindo seres humanos.

Diplópodes
Diplópodes

Diplópodes são muito bons em fazer composto orgânico

Em locais escuros e úmidos é que os diplópodes se proliferam. Ficam às escondidas em galhos apodrecidos ou embaixo de pedras e folhas caídas. A alimentação, em sua maioria, é com base em plantas mortas caídas no solo. Além disso, pequenos invertebrados também são suas presas, como caracóis e vermes. Ainda que pareçam inofensivas e, na maior parte do tempo comportem-se assim mesmo, existem registros de plantações de couve-flor, trigo e milho estragadas por esses animais. Também podem danificar plantações de acácia-negra, pois gostam de se alimentar da semente dessa árvore.  Mas casos como estes são exceção e raros.

Uma forma de controlar a quantidade desses animais é fazendo uma mistura de farelo de trigo ou arroz com inseticida. São as chamadas iscas tóxicas. Mas, claro, isso só é recomendado quando a proliferação deles é muito grande, a ponto de prejudicar uma plantação. De forma geral, os diplópodes não causam grandes problemas e tem papel ecológico importante em seu ecossistema.

Diplópodes
Diplópodes

Os diplópodes possuem uma importância ecológica grande à medida que se alimentam de matérias vegetais mortas, possuindo importante papel na renovação orgânica. Dessa forma, o lixo orgânico não se acumula e, o material excretado por estes pequenos animais ainda são ricos em nutrientes que podem ser utilizados como adubo. Uma pesquisa feita no Rio de Janeiro descobriu, inclusive, que os diplópodes podem ser mais eficazes do que as minhocas na composição de orgânicos, o que é excelente para plantações.

O chamado gongocomposto pode ser um ótimo substrato para plantas. Os animais, se colocados em composteiras, confinadas com alimentos orgânicos secos, em um ambiente úmido, conseguem processar 70% do material. Dez litros de resíduos, por exemplo, seriam transformados em três litros de composto rico em nutrientes para ajudar com que as mudas de plantas consigam vingar. O tempo mínimo para a transformação acontecer é de três meses, porém, com seis meses o resultado parece ser ainda melhor, com um composto ainda mais rico.

Nos testes realizados pela Embrapa do Rio de Janeiro foram usados bagaço de cana, sabugo de milho e aparas de grama. O gongolo demonstra habilidade ímpar na hora de processar qualquer desses alimentos que, acima de tudo, são fáceis de encontrar em qualquer terra. Cabe salientar a necessidade de adicionar um material rico em nitrogênio no processo, como uma leguminosa. Outra observação importante é que o ambiente precisa estar sempre úmido para o processamento ocorrer com eficácia.

A diferença entre Diplópodes e Quilópodes

Quando se entra no ramo dos Artrópodes é muito comum encontrar essa divisão entre Diplópodes e Quilópodes. Ao ver imagens dos animais pertencentes às duas classes é muito provável que você se confunda, pois são parecidos à primeira vista.

Os animais mais comuns entre os Quilópodes são a lacraia e a centopeia. Eles possuem um par de antenas mais longo e um corpo alongado e dividido em cabeça e tronco, todo segmentado também. Diferente dos Diplópodes, estes são carnívoros e possuem veneno no primeiro par de pernas. Esse veneno serve para imobilizar ou até matar suas presas. Ao atingir os seres humanos a dor é forte e dura alguns dias, causando inchaço na região atingida.

Já os Diplópodes como visto anteriormente, em um contexto geral, se alimentam de plantas e por isso não necessitam de veneno para capturar suas presas. Como semelhança, ambos possuem sistema digestório completo e possuem esqueleto quitinoso, isto é, uma camada externa mais rígida, que serve para lhes proteger, não deixando seu corpo tão frágil e mole. Outra semelhança é a transformação no corpo ao longo de sua vida, que tem expectativa de um a dez anos.

Espécies de diplópodes

Existem quase dez mil espécies de diplópodes espalhadas pelo mundo. E elas são muito antigas! É óbvio que aqui não serão listadas todas, mas somente algumas, mais populares ou curiosas.

Orthomorpha coarctata – É natural do sudeste da Ásia, mas foi espalhada pelo mundo devido ao transporte humano. É pequena, as fêmeas medem cerca de 20,5mm e os machos 27,5mm.

Oxidus gracilis – Nativa do Japão, chega a ter até 23mm. Tem como característica cavar túneis, inclusive é neles que as fêmeas depositam seus ovos.

lllacme plenipes – Este ser é pequeno, mas curioso: é encontrado somente nos Estados Unidos, no Estado da Califórnia. O que mais chamou atenção nele foi a quantidade de patas. Os machos têm 562 patas, enquanto as fêmeas chegam a ter 750. Esta espécie tem por hábito cavar túneis e escalar pedras, além da peculiaridade de produzir seda através de pequenos pelos corporais.  Suas antenas são mais fortes e longas, servem para receber informações de localização, já que é cego.

Os diplópodes, tão pequenos, servem para tirar a impressão que muitas pessoas têm de que animais pequenos são dispensáveis na natureza. Todo animal possui sua importância ecológica no ecossistema em que está incluso e isso, claro, vale também para o piolho-de-cobra.

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