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Peixe Baiacu Pode Comer?

“Baiacu” é, na verdade, um nome popular dado a cerca de 150 espécies de peixes que têm em comum a capacidade de inflar o corpo quando se sentem ameaçados. A carne desse animal é muito apreciada na culinária mundial. No Japão, por exemplo, a iguaria é conhecida como “fugu” e um prato dificilmente custa menos de 50 dólares.

No entanto, trata-se de um dos pratos mais controversos. Todos os anos, cerca de cinco pessoas morrem, e muitas outras são internadas, por intoxicação após ingerirem, junto com a carne, um poderoso veneno escondido no organismo do peixe.

Fugu ou Baiacu
Fugu ou Baiacu

A substância, altamente tóxica, é a Tetrodotoxina. Ela fica armazenada em uma pequena bolsa situada junto ao aparelho digestivo do peixe. A Tetrodotoxina é uma neurotoxina 1.200 vezes mais mortal do que o cianeto. Apenas dois gramas dela são suficientes para matar uma pessoa. Já a quantidade total encontrada em único peixe é capaz de vitimar fatalmente 30 pessoas.

A substância não é fabricada pelos baiacus, mas sim por bactérias que ficam alojadas nos peixes. Dessa forma, ao preparar o peixe para consumo, é preciso limpar o animal com um cuidado especial, para que os acidentes alimentares não aconteçam e não vitimem os apreciadores da iguaria.

Estes peixes não possuem o veneno nos músculos. Algumas espécies, na época da desova, apresentam uma concentração maior desta toxina em suas gônodas, que age como um hormônio feminino, atraindo os machos.

Baiacu à Milanesa
Baiacu à Milanesa

De acordo com especialistas na limpeza de baiacu, o grande cuidado a ser tomado é não estourar ou perfurar a bolsa que contém o veneno no momento de limpar o peixe. Depois disso, ele pode ser preparado como um peixe comum.

Após a limpeza correta do peixe, ele pode ser temperado inteiro ou em filés e preparado a gosto. No Japão, o cuidado é tão grande que os “Fugu Choorisi”, profissionais especializados nesse trabalho, são considerados habilitados para a função após dois anos de prática na limpeza. Porém, mesmo com todo esse cuidado, ainda há casos de morte no país.

Sintomas

A intoxicação causada pela ingestão do veneno, quando pequena e moderada, pode provocar desde leve formigamento na boca até a queda da pressão sanguínea, com consequente perda da força física, além de comprometimento da fala e da respiração. O entorpecimento, a dor de cabeça e os problemas gastrointestinais também são comuns em casos de ingestão da Tetrodotoxina. Surtos de diarreia e vômitos também são comuns.

A fala é afetada e a pessoa envenenada apresenta comumente cianose e hipotensão, com convulsões, contração muscular, pupilas dilatadas, bradicardia e insuficiência respiratória. O paciente, embora totalmente paralisado, permanece consciente e lúcido até o período próximo da morte. O óbito ocorre dentro de 4 a 6 horas, podendo variar de cerca de 20 minutos a 8 horas.

Em casos de intoxicação extrema, a toxina age chega a bloquear a ação do sistema neural. Os danos começam frequentemente com contrações musculares que podem evoluir para a paralisia total. Nessas situações, a vítima fica imóvel, porém com plena consciência do que acontece ao redor. A morte, no entanto, pode ocorrer devido ao colapso dos pulmões e do coração.

Apesar das toxinas do baiacu, alguns animais como tubarões são capazes de comer o peixe sem serem prejudicados.

Porção de Baiacu ou Fugu
Porção de Baiacu ou Fugu

Poder medicinal

As toxinas do baiacu também podem ter aplicações medicinais. Pesquisadores trabalham a hipótese de a Tetrodotoxina ser utilizada como sedativo respiratório e analgésico para alívio de dores originadas de diversas doenças.

Medicamentos derivados da Tetrodotoxina estão desenvolvidos por meio de experimentos em pacientes com câncer. Até mesmo pessoas toxicodependentes estão sendo estudadas.

Fugu e o Poder Medicinal
Fugu e o Poder Medicinal

Receita – moqueca capixaba

A espécie baiacu-arara (Lagocephalus laevigatus), encontrada de forma predominante nas águas da costa brasileira, é muito consumida no estado do Espírito Santo e protagoniza a famosa moqueca capixaba. Essa espécie não apresenta toxidade tão grande como as outras, especialmente aquelas existentes nos oceanos Índico e Pacífico.

Ingredientes:

  • 3 k de baiacu temperados com sal e limão;
  • 1/2 xícara de azeite;
  • 4 dentes de alho picados;
  • 2 cebolas médias picadas;
  • 4 toamtes maduros picados;
  • colorau a gosto;
  • 1 maço de cebolinha picada;
  • 1 maço de coentro picado;
  • ajinomoto e curry a gosto (se quiser);
  • 1 vidro pequeno de leite de coco;
Moqueca Capixaba
Moqueca Capixaba

Modo de preparo:

  • Lave o peixe e corte em postas;
  • Passe limão e lave o peixe novamente;
  • Tempere com limão e sal a gosto e deixe descanar por cerca de uma hora;
  • Em uma panela de barro, doure o alho e a cebola no azeite;
  • Coloque o tomate, temperos verdes e depois o colorau, alternando o peixe e o molho;
  • Coloque um copo de água e tampe a panela;
  • Depois que levantar fervura, deixe cozinhar por 20 a 30 minutos;
  • Desligue e coloque o leite de coco;
  • Tampe novamente e deixe uns cinco minutos. Pronto!

Fotos de Pratos com Baiacu

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