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Peixe Bagre é Venenoso?

Infelizmente, acidentes com o peixe bagre nas praias são bastante comuns. Os bagres marinhos são os peixes peçonhentos responsáveis pelo maior número de acidentes no Brasil, especialmente no litoral sudeste, onde o bagre amarelo Cathorops spixii é encontrado em maior abundância.

O bagre tem três espinhas nas nadadeiras: uma peitoral e duas dorsais, que formam um triângulo onde os ferrões ficam armazenados. Quando tocada, a nadadeira fura e libera o ferrão, ferindo a pessoa. Além da lesão dolorosa, o acidente pode causar também edema intenso e ocasionalmente alguns sintomas sistêmicos.

Mesmo quando o peixe está morto, o veneno contido no ferrão fica ativo por horas. Quanto mais recente a morte do peixe, mais intensa será a dor. Além disso, o fato de a nadadeira ser afiada e serrilhada intensifica a dor. Os acidentes mais comuns ocorrem quando a pessoa está caminhando na areia ou na beira do mar, não vê que o peixe está morto ali e pisa.

Peixe Bagre Venenoso
Peixe Bagre Venenoso

Vale lembrar que os bagres não atacam os banhistas. Especialistas afirmam que, em 100% dos casos, os incidentes ocorrem com o animal já morto, geralmente descartado por pescadores amadores. Quando vivo, o bagre jamais circula próximo aos banhistas. Os acidentes sempre acontecem quando a pessoa se choca contra o peixe.

Os bagres são peixes de pequeno a médio porte e costumam viver em grupos, de cinco a cem indivíduos, em locais rasos e de fundo lodoso. O mecanismo peçonhento apresenta três diferentes fontes de substâncias tóxicas: o ferrão, revestido por uma camada glandular que produz toxinas; as glândulas axilares, encontradas próximas à base dos espinhos laterais; e o muco, composto por um material proteico e gelatinoso.

Cientistas acreditam que, no momento do acidente com os bagres, a laceração provocada pela penetração do ferrão torna mais fácil a entrada e a absorção de substâncias tóxicas das três possíveis fontes.

Cuidados

O ideal é estar sempre atento para evitar contato com o animal. Mas quando o acidente acontece, o mais importante é tentar manter a calma e não tentar tirar o peixe.

Por ser afiada e serrilhada, a nadadeira só pode ser retirada por um médico para não provocar mais estragos e ocasionar uma infecção. Se houver socorrista no local, ele geralmente vai cortar o peixe, deixando apenas a nadadeira para que ela seja retirada no hospital com anestesia. Com um bisturi, o médico vai abrir um pouquinho em cada lado e remover a nadadeira com facilidade e sem maiores danos.

No momento do acidente, a pessoa pode mergulhar a parte atingida em água doce morna para aliviar a dor até chegar ao hospital. O Veneno do bagre é termolábil, ou seja, decompõe-se com o calor.

Grande Peixe Bagre
Grande Peixe Bagre

Após a remoção, a pessoa deverá tomar antibiótico para evitar infecções. Além da bactéria da água do mar, da areia e do próprio peixe morto, existem as bactérias da pele, que podem se manifestar a qualquer sinal de ferimento.

As regiões onde os acidentes geralmente acontecem são marcadas pelo encontro do rio com o mar. Os bagres procuram o rio para colocar seus ovos, mas costumam ficar em alto mar, longe dos banhistas. Eles só vêm pra perto dos banhistas quando estão mortos e são trazidos pela correnteza ou quando são descartados mortos pelos pescadores.

Os bagres-marinhos são muito comuns no litoral brasileiro e, apenas no litoral de São Paulo, há pelo menos oito espécies diferentes.

Produção de soro

Peixe Bagre Soro
Peixe Bagre Soro

O Instituto Butantã, em São Paulo, é famoso pela produção de soro contra picada de cobras, aranhas e escorpiões. Recentemente, pesquisadores começaram a explorar também o mundo aquático em busca de uma fórmula capaz de neutralizar o veneno de peixes peçonhentos.

Os estudos tiveram como ponto de partida o Thalassophryne nattereri, um peixe comum nas regiões norte e nordeste do Brasil conhecido como niquim, ou peixe-sapo, que vive em águas de encontro do mar com o rio. Hoje, as pesquisas também abrangem o bagre e o peixe-escorpião, facilmente encontrados em quase todas as regiões do Brasil, e a arraia, comum na região norte. A produção de um único soro para neutralizar o veneno de todos esses peixes é uma das possibilidades muito próxima de se concretizar.

Em entrevista ao portal Nippo Brasil, a bióloga Mônica Lopes Ferreira, coordenadora dos estudos sobre peixes peçonhentos no Butantã, disse que o soro para o niquim também se mostrou eficiente contra os efeitos causados pelo veneno de outras espécies de peixes peçonhentos.

Pioneirismo

As pesquisas relacionadas aos peixes peçonhentos colocam o Brasil entre os pioneiros no tema. Em todo o mundo, apenas a Austrália desenvolve soro para veneno de peixe. Lá, os acidentes causados pelo peixe-pedra (stone-fish), parente do peixe-escorpião e comum no Oceano Índico, são tratados com soro.

A previsão do Instituto Butantã é que o soro leve cerca de um ano para começar a ser usado em clínicas, pois ele depende da avaliação e da autorização de um comitê médico e precisará de mais dois anos para se tornar um soro comercial.

Fotos de Peixe Bagre

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