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Existem Ornitorrincos no Brasil? Qual Seu Habitat?

Ornitorrinco é um mamífero? Ou será que é uma ave? Ele vive na terra ou na água? Existem tantos questionamentos quando se trata desse animal tão peculiar que vale muito a pena ser estudado de perto.

Se você tem dúvidas sobre ele, não se preocupe: isso é comum. Até mesmo os pesquisadores que estudaram o primeiro espécime do ornitorrinco estranharam a sua complexidade. O zoologista George Shaw, por exemplo, escreveu que chegava a ser excitante a ideia de uma preparação enganosa por meios artificiais, duvidando que um animal pudesse ter aquelas características de forma natural, sem interferência externa.

Ornitorrinco
Ornitorrinco

Afinal, o que é um ornitorrinco?

Seu próprio nome significa “com bico de ave, semelhante ao pato”, demonstrando o aspecto de ave que ele carrega. Porém, apesar disso, o ornitorrinco é um mamífero. Sua família é a ornithorhynchidae e o seu gênero é o ornithorhynchus. De ambos, o ornitorrinco é o único representante vivo. Ele também integra o grupo dos monotremados junto de quatro espécies de equidnas, pequenos animais que podem ser chamados também de zaglossos. O grupo é composto por esses animais porque eles são os únicos mamíferos capazes de colocar ovos. O nome “monotremado” é dado ao grupo também pelo fato de que o orifício que é usado como ânus possui também a função de genitália, simultaneamente.

O fato de serem ovíparos – colocar ovos, inclusive, foi uma descoberta que demorou um século para ser feita. Os pesquisadores estudaram o animal e se surpreenderam com tudo que ele apresentava e a característica foi percebida muito tempo depois do estudo do primeiro espécime, chocando a comunidade científica ainda mais.

Onde o ornitorrinco vive? Existe no Brasil?

O animal é natural da Austrália, país do qual se tornou um símbolo nacional, conhecido por todos. Ele vive sempre na proximidade de rios, córregos, lagos e lagoas, mas há certa adaptabilidade quanto as temperaturas que o ornitorrinco aguenta. Por exemplo, pode ser encontrado em meio ao clima quente das florestas tropicais de Queensland, no nordeste australiano, assim como na neve de espaços montanhosos, como em Nova Gales do Sul, no sudeste da Austrália. O que os faz suportar as temperaturas baixas é o seu corpo hidrodinâmico, composto por pelos isolantes que protegem do frio quando vivem na parte inferior do país.

Porém, infelizmente, o animal se restringe ao ambiente australiano mesmo. Trata-se de uma espécie endêmica, ou seja, que nasce e se desenvolve apenas em uma região específica. Dessa forma, eles não existem fora da Austrália, por isso não há no Brasil nenhum exemplar do ornitorrinco, um animal tão peculiar.

O ornitorrinco é um animal semiaquático

Ou seja, ele é capaz de sobreviver tanto no ambiente terrestre quanto no aquático. No entanto, sua desenvoltura é bem melhor na água. A espécie só é capaz de ficar, em média, cinco minutos submersa, mas é quando seu potencial é explorado ao máximo. Na terra, os seus membros curtos acabam exigindo 30% a mais de energia para simplesmente se locomover com a mesma frequência que um mamífero terrestre com tamanho parecido. Ele possui membranas em suas patas dianteiras – como dito anteriormente, semelhante a um pato – e elas se adaptam ao ambiente: na água, ajudam a nadar. Quando chega na terra, se retraem para que as garras pontudas do ornitorrinco apareçam e ajudem no deslocamento.

Um fator que ajuda bastante o animal a ter uma ótima performance no ambiente aquático é o seu bico. Ele possui milhares de células que são capazes de detectar campos elétricos que outros seres vivos geram. Essa característica é tão forte que o ornitorrinco poderia nadar de olhos, orelhas e narizes fechados em busca de sua presa e ainda assim seria capaz de se sair bem, tudo devido ao seu bico. Ele possui também algumas dobras feitas pela própria pele que cobrem seus olhos e ouvidos como forma de não haver qualquer efeito prejudicial em seu corpo durante os mergulhos.

Do que o ornitorrinco se alimenta?

A dieta dele consiste em pequenos peixes, camarões e também insetos aquáticos. O que dificulta para o animal é que ele não possui dentes na vida adulta. Os possuem apenas quando filhotes, mas são substituídos por uma placa queratinizada quando crescem. Graças a isso, o processo de mastigação acaba sendo prejudicado, mas o ornitorrinco conseguiu driblar essa adversidade: quando separa seu alimento na margem do rio, ele recolhe também alguns cascalhos e mistura tudo dentro da superfície em que come, fazendo do cascalho uma espécie de dente improvisado que tritura a sua comida e o ajudar a comer melhor.

Outra peculiaridade do ornitorrinco é que ele não possui estômago. Todos os genes necessários para formar um estômago no processo evolutivo foram perdidos, o que significa que provavelmente ele nunca mais será capaz de desenvolver um. Dessa forma, seus intestinos precisam ser conectados diretamente ao esôfago, de modo a permitir o fluxo da alimentação.

Os filhotes dos ornitorrincos

Eles nascem bem cedo. Leva em média seis a dez dias, após a fêmea botar o ovo, para que os filhotes venham ao mundo. Os depósitos são simples, tendo entre um e três ovos, apenas. Mesmo nascendo do ovo, esses filhotes se alimentam de leite materno, como os mamíferos. No entanto, a diferença é que o ornitorrinco fêmea não possui mamilos. Os recém-nascidos se alimentam a partir de glândulas mamárias que estão no abdômen de suas mães, havendo necessidade de sugar o pelo da fêmea para que possam comer devidamente.

O leite do ornitorrinco é, inclusive, objeto de estudo devido a uma proteína capaz de barrar a proliferação de micro-organismos. Estudiosos temem que a resistência aos antibióticos se torne mais comum no futuro; dessa forma, a proteína presente no leite do animal tem o potencial para lidar justamente com esse problema. Os estudos se iniciaram em 2014 e se estendem até a atualidade.

Filhotes de Ornitorrinco
Filhotes de Ornitorrinco

O veneno do ornitorrinco

Essa característica não é muito comum entre os mamíferos. Na espécie, é apenas o ornitorrinco macho que possui essa propriedade. O veneno está em um esporão nas patas traseiras do animal, que só é ativado na temporada de acasalamento como forma de disputar contra outros machos por uma mesma fêmea.

Os estudos feitos apontam que as enzimas produzidas pelos ornitorrincos são bastante semelhantes com as das serpentes, ou seja, a dor causada é forte. Apesar disso, não é capaz de matar um ser humano.

Mesmo não existindo no Brasil, o ornitorrinco é um animal tão interessante que vale a pena aprender um pouquinho mais sobre ele, né?

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