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Curiosidades da Tartaruga Gigante: Existem no Brasil?

Chegou o momento de falar sobre um dos répteis mais incríveis encontrados na natureza: a tartaruga gigante (dermochelys coriacea, tartaruga de pele encouraçada). A denominação do animal é bem autoexplicativa, mas no decorrer desse texto você verá algumas curiosidades impressionantes que tornam esse animal um exemplo de evolucionismo.

Tartaruga gigante, tartaruga de couro ou tartaruga de quilha?

Apesar dos nomes diferentes, todos estão corretos e se referem ao mesmo animal. As três denominações apenas trazem à tona diferentes características marcantes do réptil.

Sendo capaz de atingir até dois metros de comprimento e 400 quilogramas, a tartaruga gigante é determinada como a maior espécie em termos de dimensões. Um achado durante pesquisas científicas até conseguiu superar a média estabelecia: na praia paquistanesa de Sandspit, com 2.13 metros e pesando 650 quilogramas, o animal sustenta o recorde até o presente momento.

Tartaruga Gigante
Tartaruga Gigante

Mas porquê “tartaruga de couro”?

Além de dimensões impressionantes que já foram apresentadas, há também um fator importante de ser notado: a carapaça de grande resistência que o animal possui. Ela é constituída por um conjunto de pequenas placas ósseas e uma camada fina de pele resistente que, unidas, formam uma textura que remete ao couro, por isso o nome dado.

As duas denominações anteriores foram bem claras e diretas, mas a terceira tem uma associação um pouco mais abstrata. Primeiro, é importante mencionar que “quilha” é o nome dado à espinha dorsal do barco, a parte que se estende da proa à popa e precisa ser resistente para sustentar o que é posto em cima. No contexto das tartarugas, as quilhas são como visíveis linhas que se estendem sobre a carapaça, indo de um extremo ao outro – assim como a quilha de um barco.

Na carapaça da tartaruga gigante, sete quilhas são encontradas. A do centro é chamada de quilha vertebral, enquanto as outras seis são todas quilhas laterais. Mas, além dessas, existem mais três no plastrão – parte ventral do réptil – e todas são menos visíveis do que as que estão na parte superior do animal.

Associando essas informações, talvez você esteja se perguntando:

Como é a alimentação de um animal gigante?

Resumidamente: ele come muito. De acordo com os pesquisadores que observaram de perto o comportamento do réptil, ele chega a consumir, aproximadamente, o equivalente ao seu próprio peso todos os dias. Como a média estabelecida é de 400 quilogramas, cada animal come por volta dessa quantidade diariamente.

Sua dieta é focada organismos gelatinosos, como zooplâncton, salpas e os cnidários, principalmente as águas-vivas, que são facilmente capturadas pelas mandíbulas afiadas da tartaruga.

Graças a isso, a problemática levantada sobre poluição e descarte indevido de materiais na natureza é muito importante e afeta diretamente o animal que estamos estudando. A tartaruga gigante, por exemplo, possui baixa visão e pode facilmente confundir um saco plástico com uma água-viva, seu alimento. A ingestão do plástico pode obstruir seu sistema respiratório e levar a morte, caso não seja tratado por algum profissional. O risco de extinção da tartaruga gigante – hoje já em estado elevado – é ainda mais intensificado pelas práticas impensadas.

Tartaruga Gigante
Tartaruga Gigante

Não apenas essa prática, mas a pesca – acidental ou proposital – também é um dos fatores que contribuem para a diminuição contínua do animal pelo mundo.

A nível internacional, a União Internacional para a Conservação da Natureza classifica o animal como vulnerável no que diz respeito a sua extinção. Já no Brasil, de acordo com nota emitida pelo Ministério do Meio Ambiente, a tartaruga gigante está no patamar tido como criticamente em perigo. Ou seja, dos dois pontos de vista, o desaparecimento de um réptil tão único é cada vez mais provável.

Quando os pesquisadores fizeram um levantamento sobre a quantidade de fêmeas fazendo ninho, o número chegava a 115 000 em 1980, enquanto atualmente essa estimativa não passa de 43 000, enfatizando a diminuição gradativa que vem acontecendo.

A presença do animal no Brasil, que só acontece na época da desova, se torna cada vez mais rara.

Afinal, como ocorre a reprodução das tartarugas gigantes?

Quando já estão prontas para a desova, as fêmeas saem dos oceanos tropicais e temperados em que vivem para o litoral e é o único momento que fazem isso. Lá, elas depositam até cem ovos, sendo, em média oitenta viáveis e vinte inviáveis. Estes últimos são os que não possuem vitelo, são inférteis, e são depositados por cima daqueles que estão em bom estado. Quando o predador – seja um lagarto, caranguejo, etc. – buscar o conjunto de ovos, a cobertura feita pelos inviáveis impede que os viáveis sejam pegos muito facilmente.

Mesmo com a imprevisibilidade do sexo do animal, um fator que influencia diretamente nessa questão é a temperatura da areia na qual é desova é feita. Quanto mais quente, mais chances de nascer uma tartaruga gigante fêmea.

Essas tartarugas gigantes existem no Brasil?

De vez em quando nós recebemos uma visitinha! A parte preferida para ser realizado o depósito dos ovos é no litoral do Espírito Santo, que registra a presença do animal continuamente. Por temporada, estima-se a quantidade de até 120 ninhos feitos em território nacional. Feitos com bastante cuidado, os ninhos costumam ter, em média, um metro de profundidade por vinte centímetros de diâmetro.

Vida em alto mar

Vivendo no meio aquático a maior parte do tempo, a tartaruga gigante apresenta uma característica interessante do evolucionismo. Mesmo com as baixas temperaturas que o mar apresenta, o réptil é capaz de se manter vivo pois possui uma alta tolerância ao frio. Por se movimentar frequentemente – atingindo até 35 quilômetros por hora em alto mar -, ele é capaz de gerar o calor necessário para não morrer através do próprio metabolismo, feito inédito entre sua classe.

A vida de uma tartaruga gigante, quando não é interrompida por um tubarão ou baleia, pode chegar até os trezentos anos, finalizando um ciclo majestoso.

Conhecer mais de um animal tão único, meticuloso e independente – se mantendo vivo sozinho no frio do mar! – é enriquecedor, né? Fica o alerta para jogarmos o lixo no lugar certo e prezar pela vida dos que não conseguem diferenciar plástico de uma água-viva. Pequenas ações assim podem gerar grandes (e positivas) consequências. Obrigado pela leitura até aqui e nos vemos em breve!

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