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Cobra Cipó Marrom é Venenosa? Tem no Brasil?

Existem muitas serpentes comumente chamadas de cobra-cipó. Todas com características em comum, como hábitat e alimentação, no geral, e outras que a diferenciam uma da outra. Algumas apresentam colorações esverdeadas, ganhando assim mais nomes, como por exemplo, cobra verde. No Brasil existem aproximadamente 371 espécies de serpentes conhecidas, sendo 55 delas classificadas como peçonhentas. Lembrando que a diferença entre animais peçonhentos e os venenosos, se deve a presença ou não de glândula produtora de veneno e aparelho inoculador de peçonha. Cobras peçonhentas, são somente aquelas que apresentam dentição diferenciada acoplada a glândulas produtoras, capazes de perfurar e inocular e/ou esguichar sua substância tóxica, comumente classificadas como serpentes opistóglifas, proteróglifas e as considerada mais perigosas, as solenóglifas, como jararacas e cascáveis. No geral, as cobras ou serpentes tem grande importância para o meio ambiente e no meio médico humano e veterinário. Além de exercer papel para o equilíbrio ambiental, elas são bastante relevantes dentro da medicina, devido as peçonhas produzidas por algumas espécies, e consequências de encontros acidentais com humanos e outros animais, como por exemplo os nossos queridos “pets”.

A cobra-cipó marrom

A cobra cipó marrom especificamente, de nome científico Dendrophidion dendrophis, faz parte do gênero que abriga 9 espécies de serpentes. De hábito semi arbórea, ou seja, vivem tanto entre galhos de árvore, como entre folhagens no chão. A cobra cipó marrom, podendo alcançar um pouca mais que um metro de comprimento, é encontrada por toda América do Sul e em todos os países da Mesoamérica, com exceção de El Salvador. Então sim, meus amigos, ela é vista no Brasil, sendo bastante endêmica em regiões de Mata Atlântica do Nordeste, em estados como Alagoas, Pernambuco e Paraíba. As outras serpentes de mesmo nome popular, podem ser encontradas em outras áreas também de Mata Atlântica, espalhadas por todo Brasil. Seu cardápio é composto basicamente por anfíbios anuros, como sapos, rãs e pererecas e tem hábitos diurnos, ou seja, é mais ativa durante o dia.

A cobra cipó marrom, não é considerada peçonhenta, pois não apresenta aparelho inoculador de peçonha, apesar de produzir veneno que não causa morte ao ser humano, uma mordida pode desencadear bastante dor no local, vermelhidão, inchaço e se não bem tratada, além da possível reação ao veneno, pode levar a uma infecção secundária, devido a contaminação bacteriana derivada da grande quantidade de bactérias em sua boca. Sua estratégia de defesa, consiste em se manter imóvel, para passar despercebida, ou então fugir rapidamente. Não é comum ela armar bote ou morder, são serpentes no geral bastante calmas e quando pegas, tendem a se contorcer em si mesmas ou realizar, o que é bastante curioso, o ato de autotomia ou o descarte cloacal.

O ato de autotomia é um fenômeno característico conhecido, principalmente em lagartixas e lagartos, como forma de despistar seu possível predador, distraindo-o com o membro solto e em seguida fugir do mesmo. Curiosamente, estas serpentes, tem essa mesma capacidade. Elas conseguem “desmembrar” parte de sua cauda, para que ela fique para trás e distraia o que estiver ameaçando, para que a cobra cipó consiga fugir as pressas do local.

Cobra Cipó Marrom Características
Cobra Cipó Marrom Características

A cobra cipó marrom tem como principais características sua coloração amarronzada, com desenhos “listrados” por todo seu corpo, de colorações em tons amarelados e marrom mais escuro, o que a ajuda a se camuflar entre as folhagens e troncos de árvores e seus galhos. Apresenta um corpo bastante fino em comparação com outras cobras de mesmo nome.

Outra cobra também de mesmo nome popular, mas de denominação científica diferente, a Taeniophallus bilineatus, é uma cobra cipó mais encontrada em regiões de Mata Atlântica, de estados como, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul. É ativa tanto durante o dia como de noite, vivendo sobre o solo e folhiço e alimentando-se de anfíbios. Sua principal característica fisionómica é apresentar uma cabeça de coloração marrom mais escura que o resto do corpo e ter uma linha fina de cor branca que se estende lateralmente a partir do focinho até a altura da borda posterior dos temporais, passando acima de seu olho.

Sua reprodução é ovípara, ou seja, há produção de ovos, por onde as pequenas serpentes irão se desenvolver, para em seguida, estes mesmos ovos eclodirem e saírem cobras formadas e já preparadas para caçar.

O mais importante é:

É importante ressaltar que são serpentes relativamente tranquilas, preferindo ter uma boa distância para com o ser humano e outros seres que a façam se sentir ameaçada. Portanto caso queira explorar este nosso vasto Brasil, e conhecer mais da Mata Atlântica, certifique-se de tomar as medidas cabíveis de segurança, usando sempre botas de cano alto, luvas e olhar para os galhos de árvores. Nunca mexa com serpentes que não foram acostumadas com o contato humano, por mais que possam ser consideradas tranquilas, para não acontecer nenhum acidente indesejado, mesmo não sendo peçonhentas, mordidas são sempre bastante dolorosas. E acima de tudo, é importante saber entender e respeitar o fato de que você estará no ambiente, território dela e de outros animais. Informe-se sobre as espécies mais comuns em sua região. Como vimos, existe uma boa variedade de serpentes diferentes de nome popular cobra-cipó, de acordo com cada região, com características similares e que as diferenciam também.

Cobra Cipó Marrom Brasileira
Cobra Cipó Marrom Brasileira

Como acontece a Autotomia?

A autotomia consiste no ato do animal, sendo ele vertebrado ou invertebrado, de desmembrar parte de seu membro, ou cauda, com o objetivo de distrair seu predador e conseguir fugir. Mas como acontece? Bom pessoal, existem duas formas que favorecem a autotomia. A primeira é a ruptura intervertebral. Ela não envolve o sistema nervoso do animal e não ocorre a regeneração da cauda, havendo somente crescimento de uma capa de calcificação na extremidade do mesmo. Já na ruptura intravertebral, há sim, envolvimento do sistema nervoso, principal controlador do ato, que estimula a desarticulação vertebral e consequente regeneração da extremidade perdida. Este fenômeno é comumente visto em seres como as lagartixas e lagartos, mas pode ser realizado por algumas cobras, animais marinhos e até por alguns aracnídeos.

Referências: 

  1. https://acervodigital.ufpr.br/bitstream/handle/1884/31682/Monografia%20Guilherme%20Zaniolo%20Karam.pdf?sequence=1&isAllowed=y
  2. http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1676-06032012000300018
  3. http://www.vitalbrazil.rj.gov.br/cobras_nao_venenosas.html
  4. https://www.rufford.org/files/Guia%20de%20Identi%EF%AC%81ca%C3%A7%C3%A3o%20de%20Serpentes%20do%20Bairro%20Guapiruvu,%20Brasil_0.pdf
  5. http://www.icmbio.gov.br/educacaoambiental/images/stories/biblioteca/Materiais_produzidos_nas_UCs/Folder_repteis_Impressora.pdf
  6. http://www.herpetofauna.com.br/SnakeFood.htm
  7. http://scielo.iec.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1981-81142011000200002

 

 

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