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A Sanguessuga é Perigosa? O Que Elas Podem Causar?

Apesar da maioria ser inofensivo, alguns animais podem causar certos danos, seja em humanos, seja em outros bichos. E no caso da sanguessuga, qual seria a resposta? Você com certeza conhece esse indivíduo, certo? Ele é famoso por ser usado na medicina não tradicional, pois ajuda na circulação do sangue. Mas será que ela é perigosa? Pode nos causar algum mal? Saberemos logo a seguir. 

A sanguessuga é perigosa? 

Aparentemente, elas não apresentam riscos para os humanos, mas o mesmo não podemos dizer em relação ao cavalo. Isso porque ela é transmissora do Trypanosoma evansi, parasita de equinos que causa grande perdas a região pecuária do Pantanal, no Mato Grosso. 

É ela a responsável pela transmissão da doença mal de cadeiras, também conhecida como surra, originária do Pantanal e de outras regiões com alagamento. Como sobrevive por algumas horas na boca do vetor, é capaz de passar a doença de um bicho para o outro. 

Causa nos cavalos, febre, anemia, emagrecimento, fraqueza, sangramento ocular e nasal e tremedeira nas pernas – é daí que advém o nome da doença -. É uma mazela tratável, mas se não tomada as providências de forma rápida, ela pode levar o animal a óbito. 

Sanguessuga
Sanguessuga

Sobre a sanguessuga

A sanguessuga faz parte da família dos anelídeos. É um animal invertebrado e hermafrodita, com uma diversidade de espécimes. Existem cerca de 600 espécies diferentes desse indivíduo, entre elas marinhas, terrestres e de água doce. É um parasita temporário que se alimenta de sangue. Seu torso é meio achatado, composto de cabeça, tronco e cauda, formado por anéis. 

Sua boca possui dentes com o propósito de cortar a pele de suas vítimas. Em contrapartida, estas não sentem quando são sugadas por esses animais, isso porque elas detêm glândulas salivares que liberam uma substância anticoagulante – hirudina -, que prolonga a hemorragia, assim como vasodilatadores e uma espécie de anestésico local, que é o que impede da vítima perceber a sanguessuga. 

A Hirudo medicinalis ou sanguessuga medicinal europeia é o indivíduo mais famoso. Tem um corpo comprido, que chega aos 20 centímetros de comprimento. É conhecida por ser utilizada a mais de 2500 anos na medicina, para fins terapêuticos. Na Grécia, Síria e Roma, este bicho era usado para chupar o sangue de diversos locais do corpo. Esse processo é chamado de sangria, que era realizado pois acreditava-se que tinha a capacidade de curar dores locais, aliás, um processo que foi comprovado. Além de gota, obesidade, nefrite, distúrbio mentais e inflamações. 

A importância da sanguessuga

Ela pode até ter uma aparência meio nojenta e alguns profissionais mais céticos torcem o nariz para ela, mas a verdade é que o animal tem uma grande importância, principalmente para os cientistas e médicos. Em países como Estados Unidos e Europa, a sanguessuga está sendo usada em cirurgias plásticas e reconstrutivas, pois como tem a capacidade de causar uma “hemorragia controlada” – parecido com a circulação venosa -, ela ajuda a restabelecer a circulação sanguínea da área onde o enxerto foi aplicado, que é um local bem delicado. Por este motivo tornou-se comum o uso em procedimentos como transplante de dedos, orelhas ou qualquer outra região danificada de forma grave em acidentes.

O animal ajuda na formação de novas veias devido o ato de chupar o sangue. E este é um processo muito difícil, já que estas são muito finais e difíceis de se reconectarem por terem está espessura. 

Ela também é capaz de combater a gangrena, desobstruído vasos sanguíneos – eliminando o excesso de sangue – e normalizando a pressão e a circulação sanguínea. Também existem provas de que a sanguessuga é eficaz na resolução de problemas inflamatórios, como a artrite. 

Por meio de estudos, os cientistas já identificaram várias substâncias medicinais produzidos por esse invertebrado, que são liberados quando ele morde uma vítima. Estas estão sendo analisadas e, num futuro próximo, podem virar remédios para o tratamento de doenças cardiovasculares. 

Sanguessuga no Brasil 

Foi esquecida no começo do século 20, por não existir provas da sua eficácia, porém, nos últimos anos elas voltaram aos holofotes e tem sido usada nos procedimentos citados acima. 

Apesar do sucesso, esse procedimento não foi adotado no Brasil, mas não por ceticismo, mas porque a espécie mais usada, a hirudo, não é encontrada aqui. As espécies brasileiras não se alimentam fora da água, ou seja, não servem para processos cirúrgicos. 

Mas o sucesso é tanto que, nos Estados Unidos, estão testando uma máquina que faz o mesmo trabalho que o animal, para substituí-lo.  Isso porque alguns pacientes não se acostumam com a idéia de 20 animais grudados em sua pele, após uma cirurgia. 

Curiosidades sobre as sanguessugas

  • Apesar de ser conhecida por se alimentar de sangue, nem toda sanguessuga tem essa dieta. Assim como nem todas se alimentam de sangue humano, só se tem a oportunidade ou precisam. 
  • Pode ser encontrada em toda a parte do mundo, com menos frequência na Antártida. E, mesmo lá, é possível observar espécies que vivem nas águas geladas da região. 
  • Esse bicho até levou nome de gente. Quando uma nova espécie foi descoberta, ela foi nomeada de Chtonobdella tanae, em homenagem a escritora de livros infantis e de ficção, Amy Tan, que deu destaque a criatura em um de seus trabalhos. 
  • A sanguessuga-gigante-da-amazônia, encontrada na Amazônia e na Guiana, pode chegar a 45 centímetros de comprimento, com uma expectativa de vida de 20 anos. É uma das espécies que se alimenta de sangue. 
  • Costuma ser usada como isca em pescaria, sendo considerada a melhor isca viva, segundo os pescadores. 
  • Costuma ser carinhosa com os filhotes. É um comportamento comum entre os invertebrados. 
  • É hermafrodita, ou seja, possui órgão sexual de ambos os sexos. 
  • Tem 32 cérebros, nove pares de testículos e uma mandíbula com três filas com 100 dentes, cada. 
  • Era chamada pelos babilônios como filha da deusa da medicina. 
  • Entre os anos de 1825 a 1850 a sanguessuga era usada para basicamente tudo, e podia ser alugada nas farmácias. O que hoje não é recomendado, já que usar o mesmo animal, várias vezes, seria como usar uma seringa usada. 
  • Eram tão usadas, que chegou a beira da extinção. Eis um dos motivos que caiu em desuso. 

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