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A Onça Está em Extinção?

A onça-pintada é uma imagem muito comum quando pensamos no Brasil. Associamos imediatamente o país a sua fauna e flora, trazendo a Mata Atlântica de imediato e o felino costuma vir junto por remeter à diversidade que existe no bioma. Além disso, ele é considerado como um símbolo de força e poder desde as culturas pré-colombianas das Américas Central e do Sul, como os astecas, o que fez com que a figura se tornasse tão comum quando se fala de natureza.

Mesmo com tudo isso, os estudiosos demonstram preocupação com o futuro do animal e se perguntam: até quando a espécie vai existir?

Onça
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Afinal, a onça está em extinção?

A resposta é sim. E os exemplares da espécie da onça-pintada vêm diminuindo numa velocidade absurda. Para fazer um comparativo, vamos analisar os seguintes dados: em 2009, a população do animal na caatinga chegava, em média, a 50. Uma década depois, o número gira em torno de 30. Os dados são fornecidos pela pesquisadora Cláudia Bueno de Campos, que é bióloga e coordenadora do Programa Amigos da Onça (Instituto para Conservação dos Carnívoros Neotropicais – Pró-Carnívoros). Como conhecedora da espécie, ela demonstra grande preocupação com o ritmo que o desaparecimento do animal vem tomando.

O dado citado é referente apenas ao bioma da caatinga. No total, a estimativa é que existam apenas 250 animais adultos distribuídos por todo o território, separados em oito populações distintas. Todos os grupos apresentam uma baixa em sua população.

O número de onças-pintadas é preocupante tanto quando se trata da mata atlântica quanto do caatinga, mas a situação no bioma semiárido é ainda pior porque ele, em si, já não é visto pelas entidades como alvo de conservação, o que intensifica a destruição total. Para ter uma noção, 50% da vegetação nativa da caatinga já foi devastada.

A reprodução da onça-pintada pode salvar a espécie?

Sozinha, não. Da população de 250 adultos citada acima, a Agência FAPESP especula que apenas 50 estejam se reproduzindo. A onça-pintada fêmea tem, em média, dois filhotes por gestação, com o máximo sendo quatro.

Nessa proporção, o ritmo de crescimento da espécie acaba sendo mais lento do que o esperado para a salvar da extinção.

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O que causa a extinção da onça-pintada?

Os principais fatores, assim como acontece com muitas outras espécies, são a caça predatória e a degradação do habitat em que vivem. Ambos são frutos da intervenção humana.

A noção de poder que o animal carrega acaba o tornando um alvo para o ser homem, que o caça como se a ideia de matar uma onça-pintada fosse um prêmio.

O porte do animal é grande, sendo o maior felino das Américas e o terceiro do mundo, abaixo apenas dos tigres e leões. É capaz de atingir até 2,4 metros e o peso de 158 quilos e com isso pode gerar lucro aos caçadores.

O ser humano é também o responsável por degradar o habitat da onça-pintada. O desmatamento para construção de prédios e instalação de novas tecnologias, por exemplo, leva o animal a ficar acuado conforme sua moradia vai sendo desfeita.

Além disso, a onça-pintada é uma ótima nadadora e gosta de passar boa parte do tempo na água. Com a vegetação sendo destruída, as nascentes dos rios são afetadas diretamente e o acesso à água é interferido, privando o animal de mais uma necessidade.

Dessa forma, a espécie atrofia continuamente e diversos nichos sofrem o impacto.

Quais são as consequências de a onça-pintada entrar em extinção?

Tudo vira um efeito dominó, caso isso aconteça.

Como afirma o coordenador substituto do Centro de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros (Cenap), Rogério Cunha, a onça-pintada “é uma espécie ecologicamente importante porque é o topo da cadeia alimentar. A extinção desta espécie leva ao aumento de outras, que antes eram suas presas, e provoca o desequilíbrio ambiental”.

Animais herbívoros, por exemplo, como veados e catetos, são presas da onça-pintada. Caso sua extinção ocorra, esses animais em excesso são capazes de consumir além do limite que os bosques e florestas têm a oferecer, gerando uma perda na capacidade de recomposição e diminuindo o estoque de carbono, tudo isso a curto e médio prazo. A longo, estima-se que haja uma quebra na dinâmica da floresta toda.

Até mesmo as aves podem ser afetadas com a extinção da espécie, segundo o professor Manoel Galetti Junior. Caso a onça-pintada deixe de existir, é provável que haja um aumento considerável dos predadores intermediários – jaguatiricas, por exemplo – e o ataque aos ninhos de aves deve ser tornar mais frequente, levando até mesmo à perda de algumas espécies de aves.

Nos Estados Unidos, a espécie já está totalmente extinta. O que é possível fazer para que não aconteça o mesmo no Brasil?

Como evitar que a onça-pintada entre em extinção?

A solução mais eficaz encontrada foi a criação de um parque de preservação. O Parque Nacional Boqueirão da Onça, na Bahia, possui 347 mil hectares e área de proteção ambiental equivalente a 505 mil hectares. A discussão sobre a necessidade de criar um ambiente com esse propósito levou mais de 14 anos, sendo posto em prática apenas em 2018.

Associado a isso, pesquisas são desenvolvidas pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) com base no que foi estabelecido no Plano de Ação Nacional para Conservação da Onça-pintada – PAN Onça-pintada. Em suma, possui o intuito de verificar meios de reintroduzir a onça no bioma e tentar a possibilidade de reprodução em cativeiro, aumentando a expectativa de vida da espécie.

Lidando diretamente com a caça ao animal, o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dor Recursos Naturais Renováveis) junto ao ICMBio, Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal coordenam iniciativas para coibir a prática e reduzir a vulnerabilidade enfrentada pela onça-pintada nos biomas brasileiros.

É triste ver que um animal tão característico do Brasil – e das Américas, como um todo – está correndo um risco tão alto de desaparecer completamente. Mas, ao mesmo tempo, é bom ver que as autoridades estão tomando as medidas necessárias para que isso não aconteça!

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