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Andorinha-dos-Beirais

Reino: Animalia

Filo: Chordata

Classe: Aves

Ordem: Passeriformes

Família: Hirundinidae

Género: Delichon

Espécie: Delichon urbicum

A andorinha-dos-beirais é uma ave migratória de pequeno porte e de grande distribuição geográfica, espalhando-se pela Europa, norte de África e regiões temperadas da Ásia. Campos abertos e de vegetação baixa, como pradarias, pastos e plantações, são seus habitats favoritos. No entanto, essa ave também pode ser encontrada regiões montanhosas de até 2200 metros de altitude, assim como em áreas mais urbanas, desde que o ar não seja muito poluído.

Dentre todas as andorinhas que residem na Eurásia, a andorinha-dos-beirais é a que mais fica em árvores, já que estas têm maior oferta de alimentos e locais para dormir. Em zonas mais tropicais, como a África oriental e a Tailândia, essa ave mais comumente encontrada em regiões de maior altitude.

Características

A andorinha-dos-beirais mede aproximadamente 13 centímetros de comprimento, com uma envergadura de 26 a 29 centímetros. Seu peso é algo em torno de 18 gramas. A cabeça e a parte superior do corpo dessa ave apresentam coloração preto-azulada. A cauda é curta, bifurcada e sem guias caudais.

A parte superior das asas é preta. Já a região inferior do corpo e das asas é branca, assim como o uropígio (apêndice triangular que recobre as vértebras caudais das aves). As patas são curtas e cor-de-rosa, cobertas por uma penugem branca.

Os olhos da andorinha-dos-beirais são castanhos. O bico é preto, fino e pequeno. Não há dimorfismo sexual nessa espécie.

A andorinha-dos-beirais costuma vocalizar bastante, especialmente em suas colônias. O canto do macho pode ser ouvido durante todo o ano e trata-se de um “chirp” melodioso. Já no inverno, o som emitido é mais áspero.

Após muito observar o comportamento dessa ave, pesquisadores da Suíça conseguiram estimar a velocidade média do batimento das asas da andorinha-dos-beirais: 5,3 a 6,0 batimentos por segundo.

Alimentação

A dieta da andorinha-dos-beirais baseia-se me insetos. Ela os captura em pleno voo. Moscas, vespas, abelhas sem ferrão e libélulas fazem parte do cardápio, assim como as formigas voadoras, as quais são uma fundamental fonte de alimento durante o inverno europeu.

Durante o período de reprodução, a andorinha-dos-beirais consegue caçar a uma altura próxima a 21 metros, de preferência em campos abertos ou sobre a água. Durante o inverno, essa ave chega a caçar altitudes superiores a 50 metros.

Reprodução

Com a acelerada urbanização, a andorinha-dos-beirais tem preferido construir seus ninhos em estruturas feitas pelo homem, como edifícios, telhados e pontes, principalmente tiverem uma fonte de água próxima. Mas, antes desse processo de urbanização se intensificar nas últimas décadas, essa ave costumava nidificar em falésias e cavernas.

A andorinha-dos-beirais possui hábitos gregários, estando habituada a viver e a migrar em bando, podendo nidificar em colônias numerosas. É comum que os ninhos sejam construídos um ao lado do outro. Normalmente, essas colônias possuem menos de dez ninhos, mas já foram registrados casos de colônias com milhares de ninhos.

As andorinhas-dos-beirais chegam à Europa para nidificar entre abril e maio. O ninho tem o formato de uma taça fechada com uma abertura estreita em cima, composto por pedaços de lama colados com saliva, palha, folhas e penas. A lama é recolhida em lagoas, riachos ou poças.

A construção do ninho leva de 10 a 18 dias para se completar. Tanto o macho quanto a fêmea participam efetivamente do processo. Finalizado o ninho, as aves adotam uma postura ameaçadora e agressiva para proteger e impedir que outra ave ocupe o seu ninho.

Filhtes de Andorinha-dos-Beirais no Ninho
Filhtes de Andorinha-dos-Beirais no Ninho

Após o acasalamento, a fêmea costuma botar quatro ou cinco ovos. A incubação dura em média 15 dias e é executada principalmente pela fêmea. Se as condições climáticas forem favoráveis, os recém-nascidos conseguem deixar o ninho após um período de 22 a 32 dias. Os pais, entretanto, continuam a alimentar seus filhotes mesmo uma semana após eles terem saído do ninho.

Normalmente, a andorinha-dos-beirais dá luz a duas ninhadas por ano. Dessa forma, aves da primeira ninhada auxiliam os pais na alimentação da segunda ninhada. O mesmo é reutilizado nos anos seguintes. No caso de uma terceira ninhada no mesmo ano, as crias geralmente são abandonadas pelos progenitores.

Cerca de 90% das incubações adquirem sucesso, sendo a taxa de sobrevivência dos recém-nascidos em torno de 60 a 80%. A expectativa de vida dessa ave não costuma ultrapassar os cinco anos, apesar de haver casos em que indivíduos chegaram a quatorze anos de idade.

Os casais de andorinha-dos-beirais são tipicamente monogâmicos, permanecendo juntos por toda a vida. Porém, é comum ocorrer acasalamento “extraconjugal”. Um estudo feito por pesquisadores da Escócia concluiu que 15% das crias dessa ave não pertenciam ao seu suposto pai. Além disso, 32% das ninhadas continham pelo menos um recém-nascido de pai diferente.

Status de Conservação

Acredita-se que a andorinha-dos-beirais distribui-se por uma área geográfica estimada em 16,2 milhões de km², com uma população global em torno de 60,6 a 288 milhões de indivíduos. Em vista desses números, a espécie não se encontra ameaçada ou em declínio de acordo com os critérios definidos pela União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN).

Dessa forma, a Delichon urbicum recebe o status de Pouco Preocupante na Lista Vermelha da UICN, atualizada em 2012. Porém, é possível que índices populacionais flutuem localmente devido a inúmeras razões.

Preservador Cuidado de Uma Andorinha-dos-Beirais
Preservador Cuidado de Uma Andorinha-dos-Beirais

A constante urbanização favorece a criações de ninhos em prédios e casas de grandes cidades como Londres, assim como as legislações que inibem a emissão de poluente e melhoram a qualidade do ar. Por outro lado, as más condições atmosféricas de determinadas cidades, o envenenamento por pesticidas, a diminuição das zonas úmidas (e consequentemente de insetos que servem de alimento para essa ave) e a ausência de lama para a construção dos ninhos podem fazer com que algumas populações sejam reduzidas.

Desde 2004, o pânico causado pela gripe das aves fez com que as pessoas destruíssem muitos ninhos de andorinha. Porém, além de proibidos por lei, esses atos são praticamente inúteis, tendo em vista que a maioria dos casos dessa doença em humanos foi proveniente do contato com aves domésticas infetadas. O risco de contrair a gripe aviária por meio de aves selvagens é muito pequeno. A caça às andorinhas pode, na verdade, trazer mais problemas, já que elas são predadoras naturais de mosquitos e moscas, verdadeiros vetores de doenças.

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